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Lodo de tratamento de água é transformado em fertilizante inovador

Uma inovação nanotecnológica está transformando o lodo das estações de tratamento de água (ETAs) em um fertilizante de liberação lenta, graças a uma parceria entre a Embrapa e a Sabesp. Utilizando um processo hidrotérmico, a tecnologia neutraliza o alumínio tóxico presente no resíduo e incorpora nutrientes essenciais como nitrogênio e potássio, convertendo um passivo ambiental em um insumo agrícola valioso.

Transformação de resíduo em insumo agrícola

O lodo de ETA, diferentemente do lodo de esgoto, possui baixa carga orgânica e elevada concentração de sais de alumínio, o que limita seu aproveitamento. A tecnologia desenvolvida pela Embrapa busca superar essas limitações, produzindo grânulos que servem como veículo para microrganismos benéficos às plantas. O coordenador do projeto, Caue Ribeiro, destaca que a inovação agrega valor a um material que tradicionalmente representa custos de manejo e descarte.

Desafios da destinação do lodo pela Sabesp

A Sabesp enfrenta desafios logísticos e financeiros com a geração de cerca de 124 mil toneladas de lodo desidratado por ano em suas 208 ETAs. Marco Barros, diretor da Sabesp, enfatiza a importância de encontrar alternativas sustentáveis para reduzir a destinação desse material a aterros sanitários. A parceria com a Embrapa visa consolidar uma solução aplicável a outras estações, com validação agronômica em campo como próximo passo.

Processo de conversão do lodo em fertilizante

Pesquisadores desenvolveram uma rota de conversão hidrotérmica para criar concentrados zeolíticos a partir do lodo de ETA. Esses minerais são usados na formulação de grânulos fertilizantes, que combinam nitrogênio e potássio em uma matriz resistente e biodegradável. A pesquisadora Raquel Cardoso Machado explica que o processo retém o alumínio, tornando o insumo adequado para aplicação agrícola.

Avaliação agronômica e eficiência do fertilizante

Experimentos realizados em casa de vegetação mostraram aumento na eficiência agronômica do fertilizante, especialmente na produção de biomassa e absorção de nutrientes. A pesquisadora Ana Rita Nogueira destaca que a zeólita retém mais nitrogênio, evitando a emissão de gases e mantendo os nutrientes disponíveis para as plantas. Os testes demonstraram eficiência agronômica superior em gramíneas como azevém e braquiária.

Potencial para uso de microrganismos

A formulação do fertilizante também foi avaliada como veículo para microrganismos promotores do crescimento vegetal. Embora não tenha sido adequada para o fungo Trichoderma asperelloides, mostrou compatibilidade com a bactéria Bacillus megaterium, que favorece o crescimento das plantas. A bactéria foi incorporada aos grânulos e monitorada por quase cinco meses, demonstrando viabilidade como veículo protetor para inoculantes biológicos.

Fonte: poder360.com.br

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