Em um marco histórico para o Brasil, os indígenas Marcelo Kariri Menezes e Idjahure Terena tomaram posse como diplomatas no Palácio Itamaraty, em Brasília, na quarta-feira, 4 de novembro de 2026. Esta é a primeira vez que representantes de povos originários ingressam no curso de Formação de Diplomatas do Instituto Rio Branco, vinculado ao Ministério das Relações Exteriores.
Inclusão e diversidade no corpo diplomático brasileiro
Os novos diplomatas integrarão a turma que começa em 2026 e termina em 2028. O curso, que seleciona cerca de 60 alunos por meio do Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata (CACD), destaca-se pela inclusão de grupos sub-representados. Quase metade dos ingressantes são de grupos como negros, pessoas com deficiência, uma quilombola e, agora, dois indígenas.
O concurso deste ano implementou ações afirmativas, conforme previsto no Estatuto da Igualdade Racial de 2010, uma conquista dos movimentos de defesa dos direitos humanos.
Reconhecimento e resistência
Durante a cerimônia de posse, a ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, enfatizou a importância da diversidade no corpo diplomático, destacando que a entrada dos primeiros diplomatas indígenas e quilombolas é um ato de resistência em tempos de ameaças à democracia. Ela ressaltou o papel significativo que esses grupos devem desempenhar na definição da posição do Brasil no cenário internacional.
Medidas para promover a diversidade
O Ministério das Relações Exteriores tem adotado medidas para aumentar a diversidade, como a ampliação do Programa de Bolsa-Prêmio de Vocação para a Diplomacia, que agora apoia, além de pessoas negras, mulheres de baixa renda, indígenas e pessoas com deficiência.
Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas, destacou que a posse dos novos diplomatas é a materialização do conceito de “Aldear o Estado”, promovendo a inserção de lideranças indígenas em espaços capazes de influenciar decisões nacionais e internacionais.
Trajetórias inspiradoras
Marcelo Kariri, natural de Campina Grande, Paraíba, é engenheiro elétrico e possui MBA em digital business. Ele atuou como engenheiro de suporte a produtos e é autor de um livro infanto-juvenil. Já Idjahure Terena é doutorando em antropologia social e tem uma carreira acadêmica destacada, sendo filho do artista Macsuara Kadiwéu, o primeiro ator indígena do cinema brasileiro.
Os dois novos diplomatas representam um avanço significativo para a inclusão étnica no Brasil, um país com uma rica diversidade cultural e étnica, que ainda enfrenta desafios para integrar plenamente todos os seus cidadãos.
Fonte: poder360.com.br
