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Padre exorcista da Serra Gaúcha explica abordagem acolhedora em atendimentos

Padre exorcista da Serra Gaúcha explica abordagem acolhedora em atendimentos

A Diocese de Caxias do Sul nomeou, em julho, o primeiro padre oficialmente encarregado do Ministério do Exorcismo na Serra Gaúcha. Aos 38 anos, o pároco da Paróquia São Ciro, em Caxias do Sul, já começou a receber pedidos de atendimento. Em entrevista ao Pioneiro, ele explica que o trabalho está mais ligado ao acolhimento e discernimento do que às cenas dramáticas retratadas pelo cinema.

Processo de discernimento e equipe multidisciplinar

O atendimento começa pela tentativa de encontrar uma explicação natural para o que o fiel está vivenciando. Caso a situação apresente elementos incomuns, a pessoa pode ser encaminhada para uma equipe formada por profissionais de diferentes áreas da saúde. “Quando uma pessoa é acolhida e percebe algum elemento estranho em sua vida, e estranho significa algo não natural ou sem explicação natural, então se encaminha para o comitê científico composto por psiquiatras, psicólogos e neurologistas”, explicou o padre.

Avaliação médica antes do rito religioso

A avaliação médica e psicológica acontece antes de qualquer possibilidade de intervenção religiosa. Somente quando não é encontrada uma explicação plausível no campo natural é que o caso pode avançar para uma oração exorcística. O procedimento é realizado em conjunto com uma equipe e segue regras rigorosas de confidencialidade.

Desmistificando o exorcismo

Apesar do imaginário popular associar o exorcismo a gritos e cenas assustadoras, o religioso garante que a realidade é diferente. “Acredito que a primeira desmistificação é sobre um caráter hollywoodiano do momento. Ele normalmente é mais sereno do que aquilo que os filmes querem retratar”, afirmou. Apenas uma pequena parcela das pessoas que procuram o sacerdote chega à etapa do chamado Exorcismo Maior.

Compreensão espiritual e ação do demônio

Dentro da tradição cristã, os demônios são compreendidos como seres angélicos que se afastaram de Deus. O padre explicou que a figura popular do demônio com chifres não corresponde à concepção apresentada pela Igreja Católica, que fala da existência do “maligno” como uma realidade espiritual.

Três formas de ação demoníaca

Na tradição católica, existem três formas extraordinárias de ação atribuídas ao demônio: obsessão, vexação e possessão. A obsessão está relacionada principalmente a pensamentos recorrentes e rejeição de elementos ligados à fé. A vexação envolve sofrimentos físicos atribuídos a uma ação sobrenatural. Já a possessão estaria relacionada ao corpo, mas não à consciência ou liberdade da pessoa.

O padre enfatiza a importância da participação de especialistas da saúde antes de qualquer conclusão sobre uma possível manifestação sobrenatural. “O sacerdote exorcista deve ter uma equipe que o auxilie no primeiro discernimento”, disse, ressaltando a importância da psiquiatria, psicologia, medicina e neurociências.

Fonte: hugogloss.uol.com.br

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