A crise financeira no Ueno Bank, no Paraguai, impacta cerca de 3 milhões de clientes, incluindo instituições públicas e fundos de previdência. O Banco Central do Paraguai (BCP) iniciou o processo de resolução do banco após verificar que seu índice de solvência caiu para menos da metade do mínimo exigido. A situação levou à aprovação da Lei nº 7.755 de 2026, permitindo o pagamento antecipado de parte da garantia dos depósitos.
Impacto em instituições públicas e previdência
O Instituto de Previsión Social (IPS) é uma das instituições mais afetadas, com aproximadamente US$ 355 milhões em depósitos no Ueno Bank, representando cerca de 9% de seus investimentos. Além disso, 32 mil aposentados que recebiam seus benefícios através do banco estão sendo transferidos para outras instituições financeiras para garantir a continuidade dos pagamentos.
A Administração Nacional de Eletricidade (ANDE) também enfrenta desafios, com US$ 46 milhões em recursos provenientes de empréstimos internacionais e 36 bilhões de guaranis em recursos próprios depositados no banco. A Cajubi, responsável pela previdência dos funcionários da Itaipú, também possui investimentos significativos no Ueno Bank.
Exposição da AFD ao Ueno Bank
A Agência Financeira de Desenvolvimento (AFD) é outro órgão público com grande exposição ao Ueno Bank. Relatórios indicam que, em junho de 2026, o banco devia à AFD um valor equivalente a 38% do patrimônio líquido da instituição financeira. A recuperação desses valores dependerá do processo de resolução e dos recursos disponíveis do banco.
Incertezas sobre a recuperação dos valores
O processo de resolução liderado pelo BCP envolve a análise dos ativos e passivos do Ueno Bank para determinar como os credores serão pagos. Para depósitos acima do limite da garantia, não há garantia de devolução total, dependendo dos recursos disponíveis e das regras de prioridade de pagamento. A crise é significativa para o sistema financeiro paraguaio, dado o tamanho do Ueno Bank, que detinha 9% dos depósitos e 8% dos empréstimos no país em setembro de 2026.
Especialistas avaliam que, se o processo de resolução for conduzido de forma rápida e organizada, os efeitos sobre outros bancos poderão ser minimizados.
Fonte: poder360.com.br
