O fundo de investimentos do crediário da Casas Bahia, administrado pelo BTG Pactual e gerido pela Polígono Capital, entrou em liquidação em outubro. A medida ocorre em meio à recuperação judicial da varejista, destacando a fragilidade do financiamento ao consumidor. Em setembro, o fundo acumulava provisões de 122 milhões de reais sobre uma carteira de 145,1 milhões de reais, indicando que 84,1% dos valores a receber estavam reservados para cobrir possíveis perdas.
O papel dos fundos de direitos creditórios no varejo
Os fundos de direitos creditórios (FIDCs) são fundamentais para o financiamento de compras parceladas no varejo. Eles permitem que as varejistas vendam os direitos de receber prestações futuras a um fundo, antecipando recursos sem impactar diretamente seus balanços. No caso do Grupo Casas Bahia FIDC, os créditos estavam vinculados a operações com a BMP, instituição financeira parceira.
Deterioração da carteira e impacto financeiro
A deterioração da carteira do fundo foi significativa. Em setembro de 2025, as provisões representavam 26,5% dos créditos, aumentando para 84,1% um ano depois. O patrimônio líquido do fundo caiu de 181 milhões para 61,5 milhões de reais, uma redução de 66%. As parcelas vencidas saltaram de 0,4% para 29,7% da carteira no período.
Contexto da recuperação judicial e suas implicações
Embora a liquidação do fundo tenha ocorrido após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, os problemas já eram evidentes anteriormente. As provisões elevadas indicavam uma deterioração dos créditos anterior ao pedido. O encerramento do fundo não implica necessariamente na interrupção do crediário ou no não pagamento das prestações pelos consumidores.
Reorganização financeira e continuidade do financiamento
A Casas Bahia busca reorganizar suas dívidas e manter o financiamento das atividades. A companhia possui diferentes estruturas de antecipação de recebíveis, como a parceria com o RED FIDC Real, gerido pela RED Asset. A liquidação do fundo administrado pelo BTG não demonstrou reduzir a oferta de parcelamento nas lojas até o momento.
O encerramento do fundo levanta questões sobre a capacidade de financiar novas vendas, pois fundos como esse transformam pagamentos futuros em recursos presentes. A continuidade do financiamento pode depender de outros investidores e mecanismos de crédito, evidenciando as dificuldades enfrentadas por veículos financeiros associados ao crediário da Casas Bahia.
Fonte: veja.abril.com.br
