O mercado de opções do EWZ, principal fundo de índice de ações brasileiras negociado nos EUA, está em ebulição. O chamado “trade Flávio” continua a ganhar força, mesmo com pesquisas indicando uma disputa acirrada entre Flávio Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Dados do Radar Econômico revelam um aumento significativo nas posições de compra do ETF, com vencimento em dezembro, que cresceram quase 32% entre 8 e 16 de outubro. Simultaneamente, opções de venda, usadas tanto para proteção quanto para especulação de queda, também estão em alta.
Expansão das opções de compra e venda
O movimento é notável nas calls, contratos que permitem a aquisição do ativo a um preço fixo. Para opções com vencimento em 18 de dezembro e preço de exercício de 50 dólares, o número de contratos subiu de 331 mil para 439 mil. Já as opções com preço de 46 dólares passaram de 273 mil para 357 mil. No total, essas posições cresceram de 604 mil para 796 mil contratos.
Desempenho do EWZ e expectativas de valorização
Apesar do aumento nas opções, o EWZ devolveu parte dos ganhos após o primeiro turno. O ETF, que subiu 12,5% em 5 de outubro, caiu 3,9% até 16 de outubro, cotado a 41,83 dólares. Para alcançar os preços de exercício de 46 e 50 dólares, seria necessária uma valorização de 10% e 20%, respectivamente.
Opções de novembro e estabilidade nas posições
As opções de novembro também mantêm posições significativas. Contratos de compra com preço de 43 dólares somavam 822 mil posições, enquanto aqueles a 45 dólares tinham 701 mil. Esses números permaneceram estáveis comparados ao início de outubro.
Aumento nas opções de venda
O estoque de puts, ou opções de venda, cresceu de 2,3 milhões para 3,5 milhões entre 2 e 16 de outubro, um aumento de 52%. As calls aumentaram 15%, de 7,3 milhões para 8,4 milhões. Pela primeira vez, o volume de puts negociados superou o de calls, com 367 mil contra 335 mil, respectivamente.
Essa mudança reflete uma reconfiguração nas operações com o mercado brasileiro em Nova York. Apesar das altas posições de compra, o uso de instrumentos para lucrar com a queda do ETF ou proteger carteiras está crescendo.
Impacto eleitoral e incertezas
O aumento das posições em aberto não esclarece se há novas apostas de alta ou estratégias combinadas de opções. A nacionalidade dos investidores e a influência direta do cenário eleitoral nas operações permanecem desconhecidas. No entanto, a concentração de contratos com vencimento após o segundo turno, em 25 de outubro, indica uma exposição elevada ao mercado brasileiro, acompanhada de cautela diante de possíveis oscilações.
Fonte: veja.abril.com.br
