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Lei Maria da Penha completa 20 anos com desafios na proteção às mulheres

Lei Maria da Penha completa 20 anos com desafios na proteção às mulheres

Há duas décadas, a Lei Maria da Penha foi sancionada, marcando um avanço significativo no combate à violência contra as mulheres no Brasil. A legislação nº 11.340/2006 reconheceu a violência doméstica como um problema público e estabeleceu mecanismos de proteção para as vítimas.

Apesar dos progressos, especialistas alertam que desafios como a subnotificação e os altos índices de feminicídio ainda persistem. Em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio no país, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior, conforme dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Impacto da Lei Maria da Penha na sociedade

A advogada Luciane Mezarobba destaca que a lei transformou a violência doméstica em uma questão de responsabilidade estatal. Ela ampliou o entendimento sobre violência, incluindo formas psicológicas, sexuais, patrimoniais e morais.

Luciane ressalta que a legislação passou por aprimoramentos, como a inclusão da violência vicária, onde o agressor utiliza terceiros para atingir a vítima. Esses avanços são considerados essenciais, embora os números de violência ainda sejam alarmantes.

Reconhecimento de agressões antes naturalizadas

A socióloga Bruna Camilo afirma que a lei ajudou a nomear e reconhecer situações antes vistas como normais nas relações familiares. No entanto, ela alerta que a aplicação integral das medidas previstas é crucial para a eficácia da lei.

“Se as disposições fossem seguidas, a lei seria extremamente forte no país”, comenta Bruna, ressaltando a importância de sua aplicação completa.

Desafios na aplicação das medidas protetivas

A efetivação das medidas protetivas ainda enfrenta falhas, como no caso de Júlia*, que teve dificuldades em garantir a aplicação de uma medida protetiva contra seu ex-companheiro. Em São Paulo, houve um aumento de 18,7% nos descumprimentos dessas medidas no primeiro semestre de 2025.

Esses problemas são agravados pela falta de fiscalização, o que deixa muitas mulheres desprotegidas.

Necessidade de estrutura para a aplicação efetiva

Bruna Camilo enfatiza que o combate à violência contra a mulher requer mudanças em toda a rede de atendimento, desde as delegacias até o sistema de Justiça. A advogada Luciane Mezarobba também aponta dificuldades estruturais, como a falta de recursos e pessoal nos serviços públicos.

Essas limitações afetam diretamente a capacidade de resposta às denúncias, comprometendo a proteção das vítimas.

Maria da Penha: símbolo da luta contra a violência

A lei homenageia Maria da Penha Maia Fernandes, vítima de violência doméstica que se tornou um ícone na defesa dos direitos das mulheres. Após sofrer tentativas de feminicídio, seu caso levou o Brasil a ser responsabilizado internacionalmente por negligência.

O caso de Maria da Penha ilustra a importância de uma legislação eficaz e de sua aplicação rigorosa para proteger as mulheres.

Violência digital: um novo desafio

Com o avanço da tecnologia, a violência contra mulheres também ocorre no ambiente digital. Agressões em redes sociais e aplicativos visam intimidar e humilhar as vítimas. Bruna Camilo destaca que esse tipo de violência pode ser enquadrado na Lei Maria da Penha, especialmente quando envolve ataques à dignidade da mulher.

Leis como a Lei Lola e a Lei Carolina Dieckmann representam avanços, mas ainda há um caminho a percorrer para garantir a segurança digital das mulheres.

Para mais informações sobre a Lei Maria da Penha, acesse o site do Senado.

Fonte: jc.uol.com.br

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