As eleições presidenciais no Peru, agendadas para o próximo dia 12 de abril, apresentam um cenário marcado pela ascensão de políticos com inclinações à direita. Essa tendência se assemelha a situações recentes observadas em outros países da América Latina, como Equador, Bolívia e Chile. As pesquisas de intenção de votos revelam que candidatos conservadores estão em destaque, embora a significativa quantidade de eleitores indecisos introduza um elemento de incerteza ao processo eleitoral.
Cenário Eleitoral e Desafios
Dados de um estudo realizado pelo JP Morgan indicam que os principais candidatos de direita acumulam cerca de 29% das intenções de voto, enquanto aqueles alinhados à esquerda obtêm apenas 7%. Além disso, aproximadamente 6% dos eleitores apoiam candidatos independentes. A situação atual sugere uma fragmentação do eleitorado que poderá influenciar a composição do segundo turno, caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta.
Indecisão e Descontentamento
O descontentamento político é palpável, com entre 40% e 44% do eleitorado ainda indeciso ou disposto a anular o voto. Essa incerteza é reflexo de um ambiente político conturbado, que nos últimos nove anos viu a troca de nove presidentes. José María Balcázar, atual presidente interino, assumiu em fevereiro de 2026, após a saída de Dina Boluarte, que ocupou a presidência após o impeachment de Pedro Castillo em 2021.
Diversidade de Candidatos e Debate Público
Com 35 candidatos se apresentando à presidência — um a menos devido à morte de Napoleón Becerra em um acidente —, o Jurado Nacional de Elecciones (JNE) organizou debates para facilitar a escolha do eleitor. Os debates foram divididos em grupos, permitindo que os candidatos apresentassem suas propostas em um formato mais acessível ao público.
Candidatos em Destaque
Rafael López Aliaga, um dos principais nomes nas pesquisas, se destaca com entre 11% e 12% das intenções de voto. Conhecido por sua postura a favor de uma economia de mercado e criticando a corrupção, o empresário e ex-prefeito de Lima se autodenomina um "cristão social" e é um crítico ativo do que chama de "marxismo cultural". Em 2021, sua candidatura falhou em alcançar o segundo turno, mas sua performance lhe rendeu maior visibilidade política.
Projeções Futuras e Composição do Congresso
Além da eleição presidencial, o pleito incluirá a renovação das 130 cadeiras da Câmara e dos 60 assentos do Senado. Especialistas projetam uma distribuição mais equilibrada entre os partidos, sugerindo que isso poderá resultar em uma governança menos conturbada, minimizando o risco de impeachments relâmpago que marcaram a política peruana anteriormente.
Conclusão
A expectativa em torno das eleições presidenciais no Peru é elevada, com a clara predominância de candidatos de direita e um eleitorado indeciso que poderá moldar o futuro político do país. Enquanto os candidatos buscam conquistar a confiança do eleitor, a fragmentação política e o descontentamento popular permanecem como fatores cruciais a serem observados nos próximos meses.
Fonte: https://www.infomoney.com.br




