
O cenário político da Hungria está em ebulição com as eleições nacionais se aproximando. O primeiro-ministro Viktor Orbán, em um discurso recente, alertou que tomará medidas rigorosas contra o que ele classifica como organizações não governamentais (ONGs) "falsas" que, segundo ele, são financiadas por Bruxelas. Orbán fez essas declarações durante um evento de campanha em Budapeste, onde enfatizou a necessidade de eliminar as influências externas que, em sua visão, ameaçam a soberania húngara.
Acusações Contra a Oposição e Bruxelas
Durante seu discurso, Orbán atacou diretamente o partido de oposição Tisza, que lidera com ampla margem nas pesquisas. Ele descreveu o partido como uma "criação" da União Europeia e de políticos alemães, insinuando que sua existência poderia levar os húngaros a um envolvimento militar na guerra da Ucrânia. O primeiro-ministro afirmou que a "máquina repressora de Bruxelas" está operando ativamente na Hungria e insinuou que, se reeleito, sua administração teria que "limpar" esses elementos após as eleições de 12 de abril.
Críticas a Empresas e Implicações Econômicas
Orbán também direcionou suas críticas a empresas como a Shell e o Erste Group Bank, associando-as ao apoio à oposição. Ele alegou que essas entidades estão se beneficiando da guerra e das sanções impostas à Rússia, chamando-as de "cobradores da tarifa da morte". A Shell, quando contatada, optou por não comentar as declarações, enquanto o Erste Group enfatizou seu posicionamento contra a guerra em um comunicado.
Desafios para Orbán e o Fidesz
À medida que se aproxima da eleição, Orbán enfrenta um desafio sem precedentes em seus 16 anos no poder. Pesquisas indicam que o Tisza possui uma vantagem de dois dígitos sobre seu partido, o Fidesz. A crescente insatisfação popular é alimentada por uma economia estagnada, serviços públicos em deterioração e escândalos relacionados à proteção infantil. Recentemente, a oposição aproveitou relatos sobre emissões tóxicas em uma fábrica da Samsung, antes celebrada como um marco de investimento, para criticar ainda mais o governo.
A Complexidade da Realidade Húngara
Em suas falas, Orbán reafirma que a segurança da Hungria depende de laços estreitos com a Rússia, que, segundo ele, ajuda a manter os preços da energia baixos. No entanto, essa visão enfrenta contestação, especialmente em um país onde a pobreza energética se agravou, evidenciada por uma onda de frio recente que expôs a fragilidade das condições de vida. Tanto o Fidesz quanto a oposição foram vistos distribuindo lenha a moradores em dificuldades, em uma tentativa de angariar apoio.
Conclusão
As promessas de Orbán e as suas críticas à oposição refletem não apenas um momento crucial na política húngara, mas também as tensões mais amplas entre a Hungria e a União Europeia. À medida que os eleitores se preparam para as urnas, a luta pela narrativa e pela percepção pública se intensifica, enquanto questões econômicas e sociais continuam a moldar o futuro do país.
Fonte: https://www.infomoney.com.br







