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UBS exige ações concretas de Lula para ajuste fiscal no Brasil

UBS exige ações concretas de Lula para ajuste fiscal no Brasil

O mercado financeiro, que antes das eleições demonstrava otimismo, agora aguarda sinais claros de compromisso com o ajuste fiscal por parte do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo relatório do UBS divulgado na última segunda-feira, investidores permanecem céticos em relação aos ativos brasileiros até que medidas concretas sejam apresentadas para conter o avanço das despesas e estabilizar a dívida pública.

Expectativas do mercado e reações iniciais

A expectativa de uma vitória de Flávio Bolsonaro havia impulsionado a valorização da Bolsa e do real, devido à percepção de um governo mais inclinado a implementar ajustes fiscais rapidamente. No entanto, com a reeleição de Lula, essa perspectiva mudou, levando a B3 a acionar o circuit breaker após uma queda de 10% no Ibovespa.

Condições impostas pelo UBS para recuperar a confiança

O UBS delineou três condições essenciais para restabelecer a confiança dos investidores. Primeiro, o governo deve apresentar um pacote de medidas quantificadas. Em segundo lugar, é necessário explicar como as promessas de campanha, que somam R$ 300 bilhões, se encaixam no esforço de equilibrar as contas públicas. Por fim, o governo precisa demonstrar capacidade de aprovar essas medidas no Congresso.

O cenário fiscal é desafiador, com a dívida bruta do governo geral atingindo 82,9% do PIB em agosto, conforme dados do Banco Central. O Fundo Monetário Internacional também alerta para o crescimento das despesas obrigatórias e exceções às regras fiscais, que complicam a consolidação das contas.

Impacto das promessas de campanha nas contas públicas

O valor de R$ 300 bilhões mencionado no relatório do UBS inclui compromissos variados, não necessariamente resultando em novas despesas diretas do Orçamento. A pressão sobre as contas públicas dependerá do custo de cada medida, seu financiamento e efeitos futuros. Além disso, o governo precisa mostrar que suas propostas têm viabilidade no Legislativo, onde a composição do Congresso pode limitar mudanças fiscais significativas.

Influência da credibilidade fiscal na Bolsa e no real

O UBS prevê que as ações brasileiras podem retornar aos níveis anteriores ao primeiro turno das eleições, antes da valorização impulsionada pelas apostas eleitorais. Também há espaço para uma desvalorização do real, embora o diferencial de juros do Brasil ainda ofereça suporte à moeda. A relação entre política fiscal e mercado é mediada pelos juros; se a estabilização da dívida não for crível, o custo de financiamento pode permanecer elevado, dificultando a redução dos juros e a melhora nas projeções de lucro das empresas.

Para o mercado, o próximo passo não é mais uma promessa, mas sim a apresentação de um plano fiscal viável que consiga aprovação no Congresso.

Para mais informações, consulte o relatório completo do UBS.

Fonte: veja.abril.com.br

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