O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendeu tensões comerciais ao utilizar tarifas como ferramenta de pressão contra aliados, destacando-se o recente embate com o Canadá. Esta abordagem agressiva também se estende a países que mantêm relações comerciais com o Irã.
Conflito tarifário com o Canadá e impacto eleitoral
Com as eleições para o Congresso americano se aproximando, Trump e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, estão envolvidos em uma crescente disputa comercial. Recentemente, foram impostas tarifas de 50% sobre US$ 20 bilhões em produtos canadenses, com ameaças de expandir essas taxas para o setor automotivo. Em resposta, Carney anunciou tarifas retaliatórias para setembro.
O governo canadense acredita que essas medidas visam influenciar o cenário eleitoral nos EUA, afetando produtos de estados-chave. A Casa Branca, por sua vez, declarou que o Canadá depende economicamente dos EUA, enquanto Ottawa defende sua soberania.
Estratégia de confronto ou negociação?
Lucas Ferraz, do Centro de Negócios Globais da FGV, argumenta que a retaliação canadense pode ser mais prejudicial ao próprio país. Ele sugere que uma abordagem negociadora, como a adotada pelo México, poderia ser mais benéfica. Ferraz destaca a importância do setor automotivo, que representa uma parte significativa do comércio bilateral.
Pressões internas e soberania canadense
O analista Lourival Sant’Anna aponta que a ingerência americana nas questões canadenses foi intensa, limitando as opções de resposta de Ottawa. Além das tarifas, Trump pressionou sobre questões culturais e econômicas, influenciando até mesmo as eleições canadenses. A vitória de Carney, que estava atrás nas pesquisas, foi atribuída em parte a essas interferências.
Uso de tarifas contra o Irã e desafios com a China
Além do Canadá, Trump utiliza tarifas para pressionar o Irã, ameaçando países que mantêm comércio com Teerã. A China, principal compradora de petróleo iraniano, reagiu negativamente, destacando que a cooperação com o Irã não deve ser interrompida. Sant’Anna ressalta que enfrentar a China economicamente é complicado, pois Pequim tem poder de retaliação significativo.
As ações de Trump demonstram uma estratégia de pressão econômica que, embora vise fortalecer a posição dos EUA, enfrenta resistência e pode ter consequências adversas no cenário internacional.
Fonte: cnnbrasil.com.br
