Em 2025, o Brasil registrou um aumento alarmante na inadimplência relacionada ao rotativo do cartão de crédito, que saltou de 55% em janeiro para 64,7% em dezembro. Esse crescimento, de 10 pontos percentuais, representa o maior índice desde o início da série histórica em 2011, conforme dados do Banco Central (BC). Curiosamente, essa escalada na inadimplência ocorre em um contexto de redução do desemprego, que ficou em 5,6%, a menor taxa desde 2012.
Cenário Econômico e Juros Elevados
Embora a taxa de desemprego tenha atingido níveis historicamente baixos e a renda média real tenha aumentado em 5,7%, alcançando R$ 3.560, os juros do rotativo do cartão de crédito atingiram a média de 438% ao ano em dezembro. Este contraste entre a melhoria nas condições de emprego e o aumento da inadimplência levanta questões sobre a saúde financeira das famílias brasileiras.
Fatores que Contribuem para a Inadimplência
Especialistas apontam que a combinação de um maior acesso ao crédito e o aumento dos custos de vida são fatores cruciais que explicam essa situação paradoxal. Jeff Patzlaff, planejador financeiro, destaca que a ampliação dos limites de crédito, incentivada pela formalização de empregos e pela comprovada capacidade de renda, levou muitas famílias a usarem seus cartões como extensão de seu salário.
Custo de Vida em Alta
Além disso, os preços de itens essenciais, como saúde, educação e alimentação, aumentaram, forçando muitos a utilizarem o crédito como um recurso para manter o padrão de vida. Essa situação é exacerbada por um endividamento prévio, que já pressionava o orçamento familiar, segundo a professora Virgínia Izabel Oliveira.
Desigualdade na Recuperação do Mercado de Trabalho
Outro aspecto importante é a desigualdade na geração de empregos e no aumento salarial. Os bons indicadores de emprego foram impulsionados principalmente por setores que beneficiam os trabalhadores de maior renda, enquanto aqueles na base da pirâmide enfrentaram inflação persistente. Antonio Pontes, diretor da The Hill Capital, alerta que a metodologia utilizada pelo IBGE para classificar a população ocupada pode não refletir fielmente a situação econômica da população.
Consequências da Inadimplência
A alta inadimplência no rotativo do cartão de crédito, que é a linha de crédito mais cara do mercado, traz preocupações acerca da saúde financeira das famílias. A taxa de juros atual, significativamente acima da média histórica de 40,3%, demonstra uma deterioração estrutural, indicando que muitos consumidores estão se endividando ainda mais. Pontes destaca que a diferença entre os juros do rotativo e outras modalidades de crédito, como o crédito parcelado, reforça essa preocupação.
Reflexão e Perspectivas Futuras
Diante desse cenário, é essencial que tanto famílias quanto instituições financeiras reavaliem suas estratégias de gestão financeira. A combinação de aumento no custo de vida e altas taxas de juros exige uma abordagem mais cautelosa no uso do crédito. O futuro econômico do Brasil dependerá de uma gestão equilibrada entre a oferta de crédito e a saúde financeira dos consumidores.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








