Na última segunda-feira, as taxas dos DIs registraram uma queda significativa, impulsionadas pelas declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que destacou a necessidade de uma 'calibragem' na taxa Selic. Durante um evento em São Paulo, Galípolo reforçou a possibilidade de cortes nos juros, o que repercutiu positivamente no mercado financeiro.
Movimentações nas Taxas dos DIs
No fechamento do dia, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu 12,63%, apresentando uma diminuição de 4 pontos-base em comparação ao ajuste anterior de 12,67%. Em relação à ponta longa da curva, a taxa para janeiro de 2035 caiu para 13,435%, marcando uma redução de 7 pontos-base em relação a 13,507% da sessão anterior. Essas quedas refletem a expectativa do mercado em relação à política monetária do país.
Perspectivas do Banco Central
Durante sua fala, Galípolo enfatizou que a palavra 'calibragem' é fundamental para entender o atual ciclo da política monetária. Ele afirmou que a possibilidade de cortes nos juros não deve ser vista como um retorno ao cenário anterior de alta, mas sim como um ajuste necessário, tendo em vista a resiliência da economia e a necessidade de avaliar cuidadosamente os dados disponíveis.
Expectativas do Mercado
O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa Selic em 15% ao ano no final de janeiro, mas indicou a possibilidade de cortes em março. As expectativas do mercado são variadas, com 67,50% de probabilidade de um corte de 50 pontos-base, 21% para uma redução de 25 pontos-base e 6,30% para uma baixa de 75 pontos-base. Essa incerteza reflete as diferentes interpretações sobre a trajetória da inflação e a recuperação econômica.
Reação do Mercado Financeiro
As declarações de Galípolo influenciaram o comportamento das taxas dos DIs, que, após uma leve alta no início da sessão, acabaram se firmando no território negativo para contratos a partir de janeiro de 2028. O mercado interpretou suas palavras como 'suaves', o que gerou uma reação positiva entre os agentes financeiros. A taxa do DI para janeiro de 2028, que havia atingido 12,690% pela manhã, caiu para 12,625% até às 15h06.
Contexto Econômico Internacional
No cenário internacional, o dólar apresentou uma queda em relação ao real, sendo negociado abaixo de R$5,20, enquanto o Ibovespa avançou, superando os 185 mil pontos. Essa movimentação se deu em um contexto de fluxo de investimentos estrangeiros em mercados emergentes. Em contrapartida, os rendimentos dos Treasuries nos Estados Unidos permaneceram estáveis, com investidores aguardando a divulgação de dados econômicos importantes ao longo da semana.
Projeções de Inflação
O boletim Focus do Banco Central, publicado pela manhã, trouxe uma leve melhoria nas projeções de inflação, com a expectativa para 2026 passando de 3,99% para 3,97%. Para 2027, a projeção se manteve em 3,80%. A taxa Selic esperada para o final deste ano continuou em 12,25%, enquanto a previsão para o final do próximo ano é de 10,50%. Essas perspectivas refletem a confiança do mercado na trajetória de inflação sob controle.
Conclusão
As declarações de Gabriel Galípolo sobre a 'calibragem' da Selic sinalizam um momento de transição na política monetária brasileira, com expectativas de cortes de juros que impactam diretamente as taxas dos DIs e o ambiente econômico. A combinação de fatores internos e externos, como a queda do dólar e a performance do Ibovespa, cria um cenário de otimismo cauteloso entre os investidores, que observam atentamente os próximos passos do Banco Central.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








