Queda do Setor de Serviços no Pará: Desafios e Oportunidades para o Turismo

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O setor de serviços no Pará enfrentou uma significativa retração de 7,3% em dezembro de 2025, em comparação ao mês anterior, conforme dados divulgados pela Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa diminuição coloca o estado em uma posição desfavorável no cenário nacional, sendo especialmente impactada por uma queda expressiva de 7,9% nas atividades turísticas, que se destacou como a maior do Brasil no período.

Causas da Queda e Contexto Histórico

A queda no desempenho do setor em dezembro é alarmante, especialmente considerando que esse mês costuma ser um período de alta para o turismo. Sebastião Campos, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Pará (Fecomércio-PA), atribui essa diminuição a problemas estruturais, como a logística deficiente e a falta de conectividade aérea, além da limitada oferta de serviços para atender à demanda.

Turismo: Um Setor em Crise

O impacto negativo sobre o turismo foi acentuado pelo contraste com o desempenho anterior. Em novembro de 2025, o Pará havia registrado um crescimento impressionante de 24,4% nas atividades turísticas, impulsionado pela realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30) em Belém. A grande quantidade de visitantes durante o evento evidenciou a vulnerabilidade da economia local, que parece depender excessivamente de eventos de grande porte.

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Dependência de Eventos e Necessidade de Diversificação

Campos também ressaltou a urgência de diversificar a economia local, uma vez que o crescimento do setor de serviços em 2025 estava intimamente ligado a eventos específicos. A ausência de iniciativas semelhantes pode provocar flutuações severas na receita, evidenciando a fragilidade do setor em tempos normais e levantando preocupações sobre a sustentabilidade econômica a longo prazo.

Análise Econômica e Perspectivas Futuras

O economista Mário Ribeiro, da Universidade Federal do Pará (UFPA), destacou que a estrutura econômica do estado é um fator que contribui para a disparidade em relação à média nacional. Regiões com setores de serviços mais variados, englobando tecnologia e finanças, tendem a apresentar um crescimento mais dinâmico. Em contrapartida, a economia paraense é predominantemente centrada em comércio, transporte e atividades extrativas, que estão mais suscetíveis a oscilações na renda local.

Impactos no Mercado de Trabalho

A retração observada no setor de serviços começa a se refletir na confiança dos empresários para o início de 2026. O Indicador de Contratação de Funcionários (IC) da Fecomércio-PA revelou uma queda de 3,3% em janeiro, indicando que muitas empresas estão adotando uma postura cautelosa em relação à contratação de novos funcionários. Como o setor de serviços é o maior empregador do estado, essa retração pode dificultar a recuperação e a expansão do mercado de trabalho.

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Reflexões sobre o Futuro da Economia Paraense

Os dados do IBGE não apenas expõem desafios imediatos, mas também levantam questões sobre a necessidade de inovação e diversificação na economia do Pará. A capacidade do estado de se reinventar e atrair investimentos em setores menos dependentes de eventos esporádicos será crucial para a recuperação econômica e para o fortalecimento do turismo.

A reportagem buscou contato com a Secretaria de Estado de Turismo (Setur) para obter uma posição oficial sobre os dados, mas não obteve retorno até o fechamento deste artigo. A situação merece atenção contínua, especialmente para que cidadãos e empresários do Pará se preparem para os desafios que estão por vir. Fique atento ao Portal Pai D’Égua para mais atualizações e análises sobre a economia e outros temas relevantes.

Fonte: https://portalpaidegua.com.br