O Paysandu Sport Club, uma das instituições mais tradicionais do futebol paraense, atravessa um momento crítico em sua trajetória financeira. Enquanto a recuperação judicial protocolada na Justiça indica uma dívida de R$ 16 milhões, investigações e fontes internas afirmam que o verdadeiro passivo do clube pode ultrapassar os R$ 75 milhões. Essa discrepância revela um cenário alarmante, resultado de uma administração marcada por decisões financeiras frágeis e anos de descontrole.
A Recuperação Judicial e Suas Implicações
A recuperação judicial surge como uma alternativa para que o Paysandu renegocie suas obrigações financeiras e evite a falência. Entretanto, a diferença entre a dívida declarada e a real suscita preocupações sobre a transparência e a viabilidade do processo. Frederico Carvalho, ex-diretor de futebol, enfatiza que os números apresentados não refletem a totalidade das obrigações do clube, alertando que a soma de passivos trabalhistas e fiscais pode facilmente elevar a dívida para além dos 70 milhões de reais.
Crise Financeira: Antecipação de Receitas e Risco Esportivo
O agravamento da crise financeira do Paysandu pode ser atribuído à prática de antecipar receitas futuras para cobrir despesas imediatas, uma tática que se tornou comum no futebol brasileiro. Embora essa estratégia possa oferecer alívio temporário, ela expõe o clube a um risco elevado de colapso financeiro. Segundo o advogado Petterson Sousa, essa abordagem demonstra um desequilíbrio financeiro que compromete a saúde fiscal do Paysandu a longo prazo.
A Ilusão de Sustentabilidade
A tentativa de assegurar a permanência em divisões superiores do Campeonato Brasileiro, visando maiores receitas de televisão e patrocínios, acabou se revelando uma armadilha. O rebaixamento do clube transformou uma situação já delicada em um verdadeiro colapso financeiro, resultando em um agravamento da crise e colocando em xeque o futuro do Paysandu.
Teia Política e Falta de Transparência
De acordo com Frederico Carvalho, a crise financeira do clube não pode ser atribuída a uma única gestão, mas sim a um sistema político que se perpetuou por mais de uma década. Ele ressalta que, apesar das trocas de presidentes, as práticas de gestão não mudaram, priorizando soluções imediatas em detrimento de uma governança sustentável. Nomes como Maurício Ettinger e Roger Aguilera são citados como figuras centrais nesse contexto, com Aguilera tendo exercido funções estratégicas que o tornaram ciente da real situação financeira do Paysandu.
Falta de Prestação de Contas e Auditorias Contestadas
A ausência de uma prestação de contas clara tem sido uma crítica recorrente entre os bastidores do clube. Frederico Carvalho relata que, mesmo em anos de arrecadação expressiva, as contas não se equilibravam. A troca constante de auditores quando irregularidades eram apontadas sinaliza uma falta de compromisso com a transparência financeira, minando a confiança dos torcedores e investidores na gestão do Paysandu.
Conclusão: Um Futuro Incerto
Diante de um cenário tão preocupante, o Paysandu enfrenta não apenas desafios financeiros, mas também a necessidade urgente de uma reestruturação na gestão. A transparência, a responsabilidade e um planejamento financeiro sólido serão cruciais para que o clube possa se recuperar e evitar um colapso definitivo. A torcida e os stakeholders aguardam com expectativa as próximas movimentações que poderão definir o futuro do Papão no futebol brasileiro.
Fonte: https://portalpaidegua.com.br








