Atualmente, o Bitcoin enfrenta um cenário de desvalorização incomum, apresentando uma sequência de quedas que foge ao padrão de sua histórica volatilidade. Lucas Collazo, apresentador do podcast Stock Pickers, observa que esse movimento é raro e não se manifesta com frequência. Ele aponta que fases prolongadas de baixa no valor da criptomoeda alteram o tom das discussões em torno do ativo, levando a questionamentos mais profundos sobre seu valor e funcionalidade.
A Origem do Bitcoin em um Contexto de Crise
A gênese do Bitcoin remonta a 2008, quando a crise financeira global revelou as fragilidades do sistema bancário convencional. Nesse cenário conturbado, Satoshi Nakamoto publicou o documento fundamental que introduziu o conceito de uma moeda digital descentralizada. O Bitcoin foi concebido não como um investimento, mas como um meio de efetuar pagamentos sem a necessidade de intermediários, resolvendo o dilema da transferência de valor na internet sem uma autoridade central.
A Primeira Transação e a Evolução do Mercado
O primeiro uso prático do Bitcoin ocorreu em 2010, quando 10 mil unidades foram trocadas por duas pizzas, evento que marcou a transição do conceito teórico para uma aplicação real. A partir desse momento, o mercado de criptomoedas começou a se estruturar, gerando um ciclo de volatilidade que se tornaria característico do ativo. Desde então, períodos de euforia seguidos por correções acentuadas foram observados em 2013, 2017 e 2021.
Dinâmica de Oferta e Demanda
Collazo ressalta que a volatilidade do Bitcoin é resultado de uma interação complexa entre oferta e demanda. Com um limite fixo de 21 milhões de moedas e eventos de 'halving' que diminuem a taxa de emissão, a oferta torna-se cada vez mais escassa. Essa dinâmica gera uma assimetria onde um aumento na demanda provoca uma reação rápida no preço, enquanto quedas na procura resultam em ajustes drásticos.
Análise da Rede e do Ativo
Para uma avaliação mais precisa do Bitcoin, Collazo propõe a distinção entre o funcionamento da rede e o comportamento do ativo. A infraestrutura da rede continua a operar independentemente do clima do mercado, enquanto o preço reflete emoções e tendências de liquidez. Assim, os períodos de queda funcionam como um filtro, separando os investidores motivados apenas pela valorização rápida daqueles que permanecem comprometidos com o ativo.
Complexidade e Resiliência do Bitcoin
O Bitcoin não se encaixa nas definições tradicionais de ativo, já que não representa uma empresa, não gera juros e não possui respaldo governamental. Ele é visto como tecnologia, meio de troca e ativo escasso, o que contribui para sua complexidade. Collazo destaca que o estudo do Bitcoin é mais revelador durante períodos de queda, pois é nesses momentos que o verdadeiro valor e a resiliência do sistema são testados.
Conclusão: Reflexões sobre o Futuro do Bitcoin
As recentes quedas do Bitcoin trazem à tona questões fundamentais sobre sua natureza e futuro. Enquanto a volatilidade é uma característica inerente, o que se observa agora é uma oportunidade de reflexão sobre o papel da criptomoeda na economia global. À medida que o mercado evolui, entender as motivações por trás da valorização e desvalorização do Bitcoin se torna essencial para investidores e entusiastas, destacando a importância de uma análise crítica e fundamentada.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








