O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) manifestou-se contra o pedido de prisão domiciliar de Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, de 64 anos. Ele é notoriamente conhecido como um dos "Canibais de Garanhuns" e foi condenado pela morte de três mulheres. Jorge, que está cego e enfrenta problemas de saúde, incluindo sequelas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), aguarda a decisão da Justiça sobre seu pedido.
Condições de Saúde e Assistência no Presídio
O parecer da Promotoria de Execuções Penais, protocolado na última sexta-feira (20), enfatiza que o Presídio Policial Penal Leonardo Lago, localizado no Complexo do Curado, na Zona Oeste do Recife, possui estrutura adequada para atender às necessidades de assistência médica do condenado. De acordo com informações do processo, Jorge recebe acompanhamento clínico, psiquiátrico e psicológico, o que reforça a posição do MPPE em favor da manutenção de sua prisão no sistema penitenciário.
O Caso dos Canibais de Garanhuns
Em abril de 2012, Jorge, junto com Isabel Cristina Torreão Pires e Bruna Cristina Oliveira da Silva, foi preso em Garanhuns, Agreste de Pernambuco, após confessar o assassinato de várias mulheres desaparecidas na região. Os restos mortais das vítimas foram encontrados enterrados na casa onde o trio morava, junto com uma criança de apenas cinco anos, filha de uma das vítimas. Durante os interrogatórios, Isabel fez revelações chocantes, afirmando que o grupo não apenas comia carne humana, mas também preparava empadas com os restos mortais, vendendo-as nas ruas.
Detalhes Macabros e Motivações
Os criminosos alegavam fazer parte de um 'Cartel', uma suposta seita que pretendia diminuir a população, justificando que suas vítimas eram mães solteiras incapazes de sustentar seus filhos. Segundo as declarações do trio, após os assassinatos, partes dos corpos eram consumidas por eles. Além disso, a polícia encontrou desenhos perturbadores e anotações de Jorge que evidenciavam a gravidade de suas ações.
Identificação das Vítimas
Entre as vítimas estava Jéssica Camila da Silva Pereira, que na época tinha apenas 17 anos. Ela desapareceu em 2008, após aceitar uma proposta de emprego como babá. Somente com a prisão dos canibais em 2012 a polícia pôde investigar e confirmar sua morte, ao encontrar seus restos mortais escondidos na casa onde o trio vivia. O depoimento de Jorge revelou que a carne da adolescente foi consumida pelo grupo e até oferecida à criança que residia com eles.
Consequências Legais e Condenações
Todos os envolvidos no caso foram condenados pelos crimes cometidos. Jorge foi sentenciado a 21 anos e seis meses de prisão por seu papel no assassinato de Jéssica, além de outros crimes associados. Atualmente, ele cumpre pena em regime fechado, enquanto Isabel e Bruna estão detidas na Colônia Penal Feminina de Buíque.
Próximos Passos
A decisão sobre o pedido de prisão domiciliar de Jorge Negromonte agora cabe ao juiz Evandro de Melo Cabral, da Vara de Execuções Penais da Capital. A expectativa é de que a Justiça considere todos os aspectos do caso, incluindo a gravidade dos crimes cometidos e as condições de saúde do detento, antes de tomar uma decisão.
Conclusão
O caso dos Canibais de Garanhuns continua a chocar a sociedade e a levantar questões sobre justiça e reabilitação. Enquanto o MPPE se opõe à prisão domiciliar de Jorge Negromonte, a sociedade observa atentamente, refletindo sobre as implicações morais e legais de liberar um condenado por crimes tão atrozes.
Fonte: https://jc.uol.com.br








