O mercado financeiro brasileiro enfrentou uma forte desvalorização em quase todos os setores da Bolsa de Valores nesta segunda-feira, 26 de outubro de 2026. A reação ocorreu após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo, 25 de outubro, quando derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL). A queda de 13,88% no Ibovespa, principal índice da B3, refletiu o sentimento negativo dos investidores, encerrando o dia com 176.608,23 pontos. Paralelamente, o dólar subiu 8,21%, sendo cotado a R$ 5,4029.
Desvalorização atinge varejo e construção civil
O setor de varejo foi um dos mais afetados, com empresas como Assaí Atacadista e Grupo Casas Bahia registrando quedas de 43,4% e 38,1%, respectivamente. Lojas Renner, Grupo Mateus e Americanas também sofreram desvalorizações significativas. No setor de construção civil, Cyrela, EZTEC e Even registraram perdas expressivas, com quedas de 44,7%, 41% e 36,3%, respectivamente. A alta dos juros futuros, que encarece o crédito e afeta o consumo e o investimento, pressionou ainda mais esses segmentos.
Impacto nas áreas de saúde, educação e bancos
Empresas de saúde, como Hapvida e Dasa, enfrentaram quedas acentuadas de 54,1% e 44,2%, respectivamente. No setor educacional, todas as empresas listadas apresentaram desvalorização, com Ânima Educação e Ser Educacional caindo 42,8% e 38,1%. O setor bancário também foi impactado, com Banco do Brasil, BTG Pactual e Bradesco registrando quedas significativas. A própria B3, responsável pela infraestrutura do mercado de capitais brasileiro, viu suas ações caírem 35,9%.
Setores de energia, indústria e commodities não escapam
Empresas de energia elétrica, petróleo, siderurgia e saneamento também sofreram com a onda de vendas. Energisa, Equatorial Energia e Eneva registraram quedas expressivas, enquanto a Petrobras caiu 8,38%. No setor de siderurgia, CSN e Usiminas também enfrentaram desvalorizações. Apesar da predominância de quedas, algumas empresas, como Suzano e JBS, conseguiram escapar da pressão vendedora, mostrando que a reação negativa não foi uniforme.
O desempenho dessas companhias, em sua maioria exportadoras ou com receitas vinculadas ao dólar, sugere que a desvalorização do real pode beneficiar alguns setores, embora outros fatores também influenciem as cotações.
Fonte: poder360.com.br
