O estudo recente apresentado por Marcelo Silva, ex-presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), revela como os juros e o governo se tornaram os principais beneficiários das melhorias nos processos de gestão das empresas de varejo no Brasil. O levantamento, que abrange o período de 2021 a 2025, destaca a transferência significativa de recursos para o setor público e para o pagamento de juros, mesmo com os esforços das empresas para aprimorar sua gestão.
Contexto econômico e impacto pós-pandemia
Marcelo Silva enfatiza a importância de considerar o ambiente macroeconômico ao analisar o varejo brasileiro entre 2021 e 2025. Após a pandemia, o cenário foi marcado por inflação alta, consumo reprimido e uma rápida elevação da taxa Selic, que passou de 2% para 13,75% ao ano em 2022. Esse contexto influenciou diretamente o desempenho das empresas varejistas, que viram suas receitas crescerem de R$ 413,4 bilhões em 2021 para R$ 545,2 bilhões em 2025.
Aumento dos impostos e participação do governo
O estudo aponta que, devido à rigidez do sistema tributário brasileiro, o governo aumentou sua participação no valor produzido pelo varejo. Os impostos, taxas e contribuições subiram de R$ 29,9 bilhões em 2021 para R$ 45,3 bilhões em 2025, com destaque para o ICMS estadual, que cresceu 71% no período.
Juros e remuneração de capitais de terceiros
A remuneração de capitais de terceiros foi a linha que mais evidenciou o impacto dos juros altos. Em 2021, o varejo pagou R$ 10,3 bilhões em juros, valor que quase dobrou em 2022, atingindo R$ 19,2 bilhões, e chegou a R$ 27,0 bilhões em 2025. O crescimento acumulado dos juros foi de 163%, superando em muito o crescimento das receitas das empresas.
Tendências futuras e desafios
Marcelo Silva identifica três tendências estruturais para o futuro do varejo brasileiro: a consolidação acelerada, a diferenciação por modelo de capital e a preparação para a reforma tributária. A implementação do IBS e do CBS a partir de 2026 promete transformar o ambiente tributário, substituindo gradualmente o ICMS estadual.
Conclusão
Apesar dos desafios, Silva destaca que enquanto a Selic permanecer alta e a carga tributária sobre o consumo for elevada, o setor varejista precisará continuar focando em eficiência tributária e modelos de negócio sustentáveis. A capacidade de gerar receita não será suficiente sem uma gestão financeira disciplinada.
Para mais informações sobre o impacto econômico no varejo, acesse o The Economist.
Fonte: jc.uol.com.br
