Impacto dos Aplicativos no Mercado de Trabalho e na Convergência da Inflação

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(Unsplash)

A revolução tecnológica que vem transformando o mercado de trabalho tem gerado profundas repercussões na economia brasileira, especialmente em relação à formalidade e informalidade no emprego. Especialistas apontam que essa transformação pode limitar a queda nos rendimentos e dificultar a convergência da inflação à meta estabelecida de 3% ao ano. Tal cenário é analisado por economistas que, apesar da expectativa de juros altos e sinais de desaceleração econômica, preveem um atraso na estabilização da inflação.

Desempenho do Emprego Formal e Informal

De acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o ano de 2025 registrou a criação de apenas 1,27 milhão de empregos formais, o pior resultado desde 2020. Apesar disso, a taxa média de desemprego foi de 5,6%, a menor já registrada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE. Essa aparente discrepância indica que, embora a formalização esteja estagnada, a informalidade continua a absorver uma parte significativa da força de trabalho.

Rendimentos e o Papel da Tecnologia

O rendimento médio real do trabalhador aumentou 5,7% em 2025, alcançando R$ 3.560. Essa elevação se deve, em parte, ao crescimento da massa de rendimentos, que subiu 6,4% no último trimestre do ano. O economista André Perfeito argumenta que a taxa de juros Selic, por mais que alta, não está conseguindo controlar as dinâmicas do mercado de trabalho, que passa por uma transformação microeconômica. Novas formas de trabalho, como os serviços prestados via aplicativos, têm mudado a configuração do mercado.

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O Crescimento dos Aplicativos e Seus Efeitos

Estudos do IBGE revelam que trabalhadores que utilizam plataformas digitais tendem a ter uma renda superior em comparação àqueles que não estão inseridos neste meio. Em 2024, o rendimento médio dos trabalhadores de aplicativos foi de R$ 2.996, enquanto aqueles fora deste sistema receberam R$ 2.875. No entanto, essa vantagem vem acompanhada de jornadas de trabalho mais extensas, com uma média de 44,8 horas semanais, em contraste com as 39,3 horas dos demais.

Impacto na Taxa de Desemprego

O pesquisador Daniel Duque, da Fundação Getulio Vargas, destaca que a popularização de aplicativos de trabalho é um fator que tem contribuído para a manutenção da taxa de desemprego em níveis baixos. Ele sugere que a taxa poderia ser até 1 ponto percentual maior na ausência dessas plataformas. Além disso, os dados mostram que os grupos mais propensos a trabalhar em plataformas têm experimentado ganhos de renda significativos, ampliando suas oportunidades de emprego.

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Conclusão: Desafios e Oportunidades

A ascensão dos aplicativos no mercado de trabalho brasileiro representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. Enquanto esses serviços proporcionam novas formas de ocupação e aumentam a renda para muitos, eles também podem complicar a convergência da inflação à meta desejada. O futuro do mercado de trabalho dependerá de como esses novos arranjos se consolidarão e de como as políticas econômicas se adaptarão a essa nova realidade.

Fonte: https://www.infomoney.com.br