O Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos, conhecido pela sigla ICE, anunciou a prisão de Armando Fernández Larios, um ex-agente da Diretoria de Inteligência Nacional do Chile (Dina). Larios é reconhecido por sua participação em crimes durante a ditadura do general Augusto Pinochet, que governou o Chile entre 1973 e 1990.
Detenção e Contexto Histórico
A prisão de Larios foi realizada em Fort Myers, na Flórida, a cerca de 250 quilômetros de Miami. Embora a detenção tenha sido reportada recentemente, ela ocorreu em outubro do ano anterior. O nome de Armando Larios está entre os 42 criminosos chilenos listados pelo Departamento de Segurança Interna dos EUA, que foram alvo de operações por violação de direitos humanos.
Envolvimento na 'Caravana da Morte'
Larios foi um dos oficiais do Exército chileno no dia 11 de setembro de 1973, quando ocorreu o golpe que derrubou o presidente Salvador Allende. Ele teve um papel ativo na chamada 'Caravana da Morte', uma operação militar que resultou na tortura e execução de pelo menos 75 opositores políticos, incluindo o economista Winston Cabello. Essa operação foi um dos episódios mais sombrios da repressão durante o regime de Pinochet.
Trajetória Judicial e Consequências
Após os eventos de 1973, Larios integrou a Dina, que se dedicava a ações clandestinas contra opositores do regime, incluindo sequestros e assassinatos. Fugindo para os EUA em 1987, ele chegou a firmar um acordo judicial após confessar sua participação no assassinato do ex-ministro das Relações Exteriores do Chile, Orlando Letelier, e de sua assistente, Ronni Moffitt. O acordo permitiu que Larios vivesse nos EUA sob proteção governamental, sem risco de extradição.
Condenações e Pedidos de Extradição
Em 2003, um júri na Flórida condenou Larios a pagar 4 milhões de dólares por tortura e crimes contra a humanidade, um veredicto confirmado em 2005 por um tribunal de apelações. Além disso, ele é acusado de outros crimes, como a morte do ex-comandante do Exército chileno, Carlos Prats, e do diplomata Carmelo Soria, ambos assassinados por agentes da Dina.
Reação do Governo Chileno
O ministro da Justiça do Chile, Jaime Gajardo, comentou a detenção de Larios, afirmando que a decisão dos EUA não foi uma surpresa para o governo chileno. Gajardo ressaltou que aqueles que cometem crimes contra a humanidade devem ser responsabilizados, e mencionou que existem cinco pedidos de extradição em aberto contra Larios no Chile. Uma audiência está prevista para este mês, onde se decidirá sobre sua possível extradição.
Implicações Finais
A prisão de Armando Fernández Larios representa um passo importante na luta contra a impunidade por crimes cometidos durante a ditadura chilena. A detenção não apenas reforça a responsabilidade internacional por violações de direitos humanos, mas também traz esperanças para as famílias das vítimas que buscam justiça há décadas.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








