Em 4 de outubro, Pernambuco escolherá 49 deputados estaduais e 25 federais, um processo que definirá não apenas a criação de leis, mas também a fiscalização dos governos e a destinação de bilhões em emendas. Esta eleição moldará a correlação de forças que o próximo governador enfrentará na Assembleia Legislativa do Estado.
Alta concorrência por vagas
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) registrou 468 candidaturas para a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) e 345 para a Câmara dos Deputados, resultando em cerca de 10 candidatos por vaga na Alepe e 14 por cadeira em Brasília. Entre os atuais deputados estaduais, 45 dos 49 buscam a reeleição, enquanto 17 dos 25 federais tentam renovar seus mandatos.
O poder das emendas parlamentares
As emendas parlamentares são um ponto central na disputa pelo poder. Em 2026, a Alepe terá uma reserva de R$ 394,3 milhões, com cada deputado podendo destinar R$ 8,047 milhões, metade obrigatoriamente para a saúde. Em nível federal, o orçamento para emendas é de R$ 61 bilhões, com cada deputado podendo indicar cerca de R$ 40 milhões.
Desde 2014, a execução das emendas em Pernambuco é obrigatória, mas enfrenta entraves técnicos, com aproveitamento abaixo da metade da dotação desde 2018. A disputa pelo controle do orçamento estadual reflete um cenário nacional, onde as emendas ganharam peso, ampliando o poder do Congresso sobre a destinação dos recursos.
Configuração política e partidária
A eleição para a Alepe é prioridade para o Palácio do Campo das Princesas. A atual gestão iniciou sem bancada própria, mas a situação mudou com a janela partidária de abril, quando 28 dos 49 deputados trocaram de partido. O PSD, liderado pela governadora Raquel Lyra, cresceu para nove cadeiras, enquanto o Podemos chegou a sete após incorporar deputados do Solidariedade.
Os partidos que apoiam a reeleição da governadora somam 29 cadeiras, enquanto os que apoiam o candidato do PSB, João Campos, reúnem 17. A meta é transformar a maioria construída durante o mandato em maioria eleita, com 30 deputados, número necessário para aprovar mudanças na Constituição estadual.
Influência na bancada federal
A composição da Câmara Federal também é crucial, influenciando o tempo de propaganda de TV. Atualmente, a bancada pernambucana está praticamente dividida, com 12 deputados no campo do candidato do PSB e 11 no da governadora. Essa aritmética de cadeiras, emendas, comissões e alianças será decisiva para medir o poder de cada grupo político após as eleições.
O resultado das eleições em Pernambuco será um termômetro para o equilíbrio de poder e a capacidade de implementação de políticas públicas no estado, refletindo também no cenário nacional.
Para mais informações sobre o processo eleitoral, acesse o site do TSE.
Fonte: jc.uol.com.br
