Eleições 2026: PT enfrenta indefinições em estados e faz diagnóstico

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A um ano do próximo pleito, cenário eleitoral ainda está indefinido em alguns estados, como em São Paulo, Minas Gerais e no Maranhão

Ao longo do mês de novembro, o Partido dos Trabalhadores (PT) trabalha em um diagnóstico dos palanques nos estados com o objetivo de avaliar os melhores cenários para as eleições do próximo ano. O Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE) foi instalado no último dia 6 e é coordenado pelo deputado federal e líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE).

A prioridade número um do grupo é a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No último mês, o petista admitiu que vai concorrer a um quarto mandato. Além da reeleição, a sigla articulará as alianças nos estados com o objetivo de ampliar a presença do partido e de aliados no Congresso Nacional – sobretudo no Senado.

Mas em meio a esse diagnóstico, lideranças petistas já preveem um pouco mais de trabalho nas negociações em alguns estados. A um ano da eleição, o cenário ainda está indefinido nos principais colégios do país: São Paulo e Minas Gerais, por exemplo. No Maranhão, uma disputa entre o atual governador e o vice petista embaralha as articulações para 2026.

Abaixo os principais nós que o PT precisa desatar até a disputa eleitoral em 2026.

São Paulo

Enquanto o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), não decide se concorrerá à reeleição ou se vai se lançar ao Planalto, no campo da esquerda, o cenário também é nebuloso no estado. A principal aposta do PT é o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), mas ele tem desconversado

Em setembro, o ministro negou interesse em concorrer ao cargo. Haddad já foi prefeito da capital e em 2022 disputou a chefia do Palácio dos Bandeirantes contra Tarcísio – e acabou derrotado.

“Neste momento, eu não tenho intenção de ser candidato no ano que vem e vou ter um tempo para planejar minha vida futura. Mas não tenho essa decisão tomada”, disse o ministro a jornalistas durante um evento em São Paulo, à época.

Outra opção seria o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que também tem demonstrado resistência em entrar na disputa. O político é cotado para repetir a chapa com Lula em 2026. No entanto, pesquisas recentes mostram que o número 2 do Planalto é quem mais se aproxima de Tarcísio em SP e, dessa forma, conseguiria levar o pleito a um segundo turno.

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Correm por fora outros nomes, como de Márcio França (PSB), ministro do Empreendedorismo e ex-governador do estado, e Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento e Orçamento. A depender do arranjo, os dois podem virar opções para o Senado.

Diagnóstico eleitoral

  • O PT instalou, em 6 de novembro, o Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE).
  • Coordenado pelo deputado federal e líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), o grupo está trabalhando nos diagnósticos eleitorais de cada estado do país para entender cenários favoráveis e desfavoráveis ao governo e à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
  • Os estudos devem ser realizados até o final do mês.
  • Em dezembro, o presidente da sigla, Edinho Silva, ao lado de Guimarães, deve se reunir com as direções estaduais do PT para começar a pactuar e construir a melhor tática eleitoral em cada estado.
  • A prioridade será a construção do melhor palanque para Lula.

Minas Gerais

No segundo maior colégio eleitoral do país, a questão gira em torno da candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao governo do estado. O político é considerado o “candidato do coração” de Lula, mas ele prefere a cadeira deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). O petista, por sua vez, deve indicar o atual advogado-geral da União, Jorge Messias, ao posto.

Pacheco também enfrenta uma celeuma com o partido, o PSD, que decidiu apoiar a candidatura do atual vice-governador de Minas, Mateus Simões – apadrinhado por Romeu Zema (Novo). Nesta semana, o senador afirmou que, diante do cenário, caso decida concorrer ao governo, não será pelo PSD.

Se Pacheco optar por não entrar na disputa, a saída seria apoiar a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT). Como mostrou o Metrópoles na coluna Igor Gadelha, a ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), participou do ato de filiação do político ao PDT, em outubro. O gesto foi visto como uma aproximação com vistas às eleições do ano que vem.

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Maranhão

Já no Maranhão o cenário é mais conturbado. O atual governador, Carlos Brandão (PSB), rompeu com o grupo político de seu antecessor, Flávio Dino, hoje ministro do STF. O titular do Executivo local quer lançar o sobrinho e secretário do estado, Orleans Brandão (MDB), ao governo.

No entanto, o vice-governador, Felipe Camarão, do PT e alinhado a Dino, também deve concorrer ao Palácio dos Leões.

O governador Brandão, por sua vez, é o favorito na disputa ao Senado, de acordo com pesquisas mais recentes. Mas ele resiste em deixar o cargo em abril, seguindo o prazo de desincompatibilização, pois colocaria o vice em evidência ao assumir o comando do estado, prejudicando assim a candidatura do sobrinho.

Enquanto isso, o atual prefeito de São Luís, Eduardo Braide (PSD), lidera os cenários para a disputa no Maranhão.

Outros embaraços

No Rio de Janeiro, a maior possibilidade de articulação do PT em relação à disputa pelo governo do estado está no apoio à candidatura do prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PSD). Paes aparece na liderança das pesquisas eleitorais, com chances de ser eleito em primeiro turno.

O que precisa ser resolvido, no entanto, é o papel do partido na chapa do prefeito. A aposta da sigla é que a deputada federal Benedita da Silva dispute uma das duas vagas do Senado com acenos do prefeito.

Em Pernambuco, o PT busca a reeleição do senador Humberto Costa em diálogo com o PSB, do prefeito do Recife, João Campos.

O partido, porém, também fala em se aproximar da governadora do estado, Raquel Lyra (PSD), com a intenção de expandir a base do governo. Campos e Lyra devem disputar a corrida pelo Palácio do Campo das Princesas. Até o momento, o prefeito desponta à frente nas pesquisas eleitorais.

Fonte: Daniela SantosAlice Groth