O cenário político brasileiro atual tem gerado um sentimento de desalento entre os eleitores. Uma pesquisa recente da Travessia, realizada para o Estadão, revela que quase 40% dos eleitores expressam descrença, revolta ou desânimo em relação à disputa presidencial. Este sentimento é compartilhado por Paula Falcão, arquiteta de 30 anos, que relembra a cordialidade entre adversários políticos no passado, contrastando com o cenário atual de ataques mútuos.
Sentimento de Descrença e Revolta
De acordo com a pesquisa, além dos 40% que se sentem desalentados, 42,5% dos eleitores ainda mantêm esperança nas eleições, enquanto 5,1% sentem alegria. No entanto, 12,6% não expressaram nenhum sentimento específico, e 3% não souberam ou não quiseram responder. Paula, que votou em Lula em 2022 com esperança de mudanças positivas, agora se sente desanimada, percebendo poucas melhorias e muitas crises simultâneas.
Voto por Rejeição
A pesquisa também destaca que 46% dos eleitores votarão em um candidato para evitar que outro ganhe. Esse fenômeno é mais comum entre eleitores com renda de até dois salários mínimos e moradores da região Norte. Paula, por exemplo, planeja votar novamente em Lula, não por expectativa de melhorias, mas para evitar o bolsonarismo.
Impacto da Descrença nas Instituições
Renato Dorgan, cientista político e CEO da Travessia Pesquisas, aponta que a descrença nas instituições brasileiras foi aprofundada pelo escândalo do Banco Master, que envolveu os Três Poderes. Segundo ele, a corrupção desenfreada e a repetição de promessas não cumpridas desgastam a confiança do eleitorado.
Desânimo e Desmobilização Eleitoral
O desânimo também afeta a mobilização dos eleitores, dificultando a distribuição de materiais de campanha e a organização de eventos. Dorgan critica a estratégia de focar no ambiente digital e negligenciar o debate de propostas, o que pode aumentar a abstenção nas eleições. A pesquisa indica que 78,5% dos eleitores têm certeza de que irão votar, mas 20,2% ainda estão indecisos.
O estudo revela que a intenção de voto é menor entre eleitores de baixa renda e residentes do Sudeste, onde a dependência da política é menor. Este cenário pode levar a um aumento da abstenção, especialmente em grandes centros urbanos.
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Fonte: jc.uol.com.br
