As expectativas em relação ao desempenho da Ambev (ABEV3) no quarto trimestre de 2025 apontam para um cenário desafiador. Dados recentes do setor de bebidas no Brasil indicam uma continuidade na queda dos volumes de cerveja, o que levanta preocupações sobre os resultados financeiros da empresa. A análise de diversos bancos de investimento revela um consenso sobre a dificuldade que a cervejaria enfrentará para surpreender positivamente o mercado.
Desempenho e Desafios do Setor de Bebidas
Os indicadores do setor, como o índice de produção industrial (PIM) do IBGE, mostram uma redução de 5% em dezembro em comparação ao ano anterior. Além disso, a concorrência, representada pelo Grupo Petrópolis, aumentou os preços de seus produtos, resultando em uma queda significativa de 22% nos volumes. Esse cenário foi agravado pelas condições climáticas, que impactaram a demanda por refrigerantes, conforme relatado pela engarrafadora da Coca-Cola Andina.
Análises de Bancos de Investimento
O Goldman Sachs, em sua avaliação, acredita que os desafios enfrentados pela Ambev já estão precificados no mercado, com uma expectativa de retração de 3% a 4% nos volumes de cerveja. O banco mantém uma recomendação de venda com um preço-alvo de R$ 11,30, destacando a falta de assimetria nas projeções que poderiam levar a surpresas positivas. As incertezas relacionadas ao crescimento e aos custos devem continuar a influenciar negativamente os resultados da companhia.
Projeções do Itaú BBA e Bradesco BBI
O Itaú BBA também espera um desempenho fraco para a Ambev, mas projeta uma dinâmica de volumes ligeiramente melhor que o esperado, com um EBITDA consolidado estimado em R$ 8,4 bilhões. Apesar da previsão de queda nos volumes, o banco acredita que a percepção do mercado está relativamente alinhada com as expectativas atuais. Já o Bradesco BBI demonstra cautela em relação aos lucros futuros, questionando se o poder de precificação foi totalmente restabelecido, o que pode manter as margens sob pressão.
Expectativas para o Futuro
Enquanto o Bradesco BBI projeta um crescimento de volumes de 2,5% em 2026, as incertezas sobre os custos e a dinâmica de mercado continuam a ser uma preocupação. O banco sugere que a avaliação relativa das ações da Ambev pode não ser um fator positivo, dado que a empresa negocia a um múltiplo de 14,8 vezes o lucro projetado para 2026, que é um desconto menor em relação à AB InBev do que nos últimos anos.
Conclusão: Cenário Desfavorável para a Ambev
Diante do conjunto de análises, a Ambev enfrenta um cenário desafiador para o quarto trimestre de 2025, com expectativas de queda nos volumes de vendas e pressão sobre os custos. A falta de fatores que possam mudar a percepção do mercado e as incertezas econômicas em geral tornam difícil para a empresa gerar surpresas positivas. Os resultados, a serem divulgados em 12 de fevereiro, serão cruciais para entender a trajetória futura das ações da companhia e a resposta dos investidores a esses desafios.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








