Depoimento Revelador de Ex-Secretária do Careca do INSS na CPMI

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© Lula Marques/ Agência Braasil.

A ex-secretária Aline Barbara Mota de Sá Cabral, que trabalhou para Antônio Carlos Camilo Antunes, popularmente conhecido como 'Careca do INSS', trouxe à tona informações preocupantes durante seu depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Aline declarou que tinha acesso ao cofre da empresa e que, sob orientação de Antunes, repassava dinheiro ao motorista para pagamentos de insumos, embora não soubesse precisar o montante que estava guardado.

Depoimento na CPMI

No dia 2 de outubro, Aline Cabral prestou esclarecimentos como testemunha na CPMI do INSS. Durante sua fala, enfatizou que não possuía informações sobre a origem do dinheiro que movimentava e sobre o enriquecimento de seu ex-chefe. Ela afirmou: 'Eu não tinha acesso a contas bancárias e não fazia pagamentos', deixando claro que seu papel era mais limitado do que se poderia imaginar.

Investigações em Curso

Antônio Carlos Camilo Antunes está sob investigação por suspeitas de envolvimento em um esquema de fraudes no INSS, que inclui descontos em aposentadorias sem a devida autorização. Aline, que se apresentou inicialmente como uma funcionária comum, revelou que Antunes a havia abordado como um 'empresário de sucesso' no momento de sua contratação, o que levanta questionamentos sobre sua real atuação no mercado.

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Carros de Luxo e Relações com Funcionários Públicos

Durante o depoimento, Aline confirmou que tinha conhecimento de que Antunes possuía veículos de luxo, incluindo marcas renomadas como Porsche e Mercedes. No entanto, negou a existência de anotações que relacionassem porcentagens a agentes públicos, afirmando: 'Eu nunca fiz tais anotações. E quando aconteceu a operação de investigação da Polícia Federal, não era eu a secretária dele'. Além disso, ela distanciou-se de qualquer decisão sobre como os recursos eram alocados.

Direito ao Silêncio e Respostas a Perguntas

Embora tenha recebido um habeas corpus do ministro André Mendonça, garantindo seu direito ao silêncio, Aline Cabral optou por responder a algumas indagações dos parlamentares. Na ocasião, ela também refutou qualquer envolvimento com o empresário Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Lula, negando ter adquirido passagens ou repassado recursos para ele.

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Próximos Passos da CPMI

A CPMI programou para o mesmo dia o depoimento do advogado Cecílio Galvão, que foi convocado sob condução coercitiva. A expectativa é de que Galvão esclareça questões relacionadas a contratos milionários com associações que estão sendo investigadas por desvios nos benefícios do INSS. A comissão continuará seus trabalhos para aprofundar a investigação e trazer mais clareza sobre os supostos esquemas fraudulentos.

Conclusão

O depoimento de Aline Cabral na CPMI do INSS lança luz sobre as operações de Antunes e as possíveis irregularidades que cercam o empresário. Sua falta de conhecimento sobre a origem dos recursos e sua posição limitada dentro da empresa ressaltam a complexidade da investigação em curso. Com novos depoimentos agendados, as próximas semanas prometem ser decisivas na elucidação dos fatos e na responsabilização dos envolvidos.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br