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Crise no transporte público: ônibus perdem passageiros para motos e carros

Crise no transporte público: ônibus perdem passageiros para motos e carros

O transporte público por ônibus no Brasil enfrenta uma crise que vai além das consequências da pandemia de covid-19. De acordo com o Anuário da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), o setor perdeu cerca de 40% dos passageiros pagantes nos últimos dez anos. Essa queda já era observada antes de 2020, mas foi intensificada pela pandemia.

Queda na demanda e migração para veículos individuais

O Anuário NTU 2025-2026 revela que a demanda por ônibus não se recuperou, estabilizando-se em um patamar inferior. Muitos brasileiros optaram por carros e, principalmente, motocicletas, influenciados pelo crescimento de serviços de transporte remunerado, como Uber e 99 Moto. Essa mudança contribui para o aumento do congestionamento e da poluição nas cidades.

Impactos financeiros e operacionais

A redução de passageiros pagantes compromete o equilíbrio financeiro dos contratos de concessão, obrigando prefeituras a aumentar subsídios para manter o serviço. Em 2025, as viagens de passageiros caíram 3,7% em relação a 2024, representando apenas 77,5% do total de 2019. A proporção de passageiros que pagam a tarifa caiu de 72% em 2021 para 55,4% em 2025.

Motorização acelerada e desafios regulatórios

Enquanto o uso de ônibus diminui, o transporte individual motorizado cresce rapidamente. Em 2025, as motocicletas superaram os carros em novos licenciamentos, com 2,2 milhões de unidades vendidas, um aumento de 17,1% em relação a 2024. Essa tendência é impulsionada por aplicativos de entrega e pela busca por transporte mais acessível.

Consequências para o transporte coletivo

A crescente motorização individual penaliza quem depende do transporte coletivo, aumentando a disputa por espaço nas vias urbanas. O Anuário NTU destaca que a crise do ônibus urbano é, sobretudo, uma questão de modelo e prioridade política. A sustentabilidade do sistema está ameaçada, exigindo ações urgentes para reverter essa tendência.

Para mais informações sobre o impacto da motorização no trânsito, acesse o Atlas da Violência 2026.

Fonte: jc.uol.com.br

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