Crescimento do Volume de Serviços em 2025: Uma Análise das Tendências e Desafios

0
1
Caminhões na rodovia Fernão Dias (Foto: ANTT)

O volume de serviços no Brasil apresentou uma queda de 0,4% em dezembro de 2025 em relação a novembro, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE. Este resultado marca uma interrupção em uma sequência de desempenho positivo do setor, ainda que, no acumulado do ano, tenha havido um crescimento de 2,8%, consolidando os serviços como um dos pilares da economia nacional.

Desempenho Mensal e Expectativas do Mercado

Apesar da queda em dezembro, o resultado anual foi considerado favorável, com um avanço de 3,4% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, resultando no vigésimo primeiro crescimento consecutivo nessa base de comparação. Contudo, a performance mensal ficou aquém das expectativas do mercado, que projetava uma estabilidade ou quedas mais suaves. Analistas interpretam esses dados como um sinal de desaceleração da atividade econômica no quarto trimestre, o que abre espaço para o Banco Central considerar cortes na taxa de juros, atualmente em 15%.

Setores em Queda e os Principais Fatores

A retração do volume de serviços em dezembro foi principalmente influenciada pelo setor de transportes, que registrou uma queda de 3,1%. Este segmento foi seguido por serviços auxiliares aos transportes e correios, com uma diminuição de 4,9%, e outros serviços, que apresentaram uma redução de 3,4%. Rafael Perez, economista da Suno Research, observa que o desempenho negativo foi generalizado entre os diferentes modais de transporte, incluindo terrestre, aéreo e aquaviário, com um destaque especial para o transporte de passageiros, que caiu 3,9%.

VEJA  Copasa Avança na Privatização e Ações São Elevadas pelo Bank of America

Resiliência em Setores de Renda e Tecnologia

Por outro lado, setores relacionados à renda e à tecnologia mostraram resistência diante das dificuldades enfrentadas. Os serviços de informação e comunicação cresceram 1,7%, enquanto os serviços prestados às famílias avançaram 1,1%. Matheus Pizzani, economista do PicPay, sugere que o aumento nos serviços às famílias está ligado ao efeito sazonal do final do ano e à maior demanda por lazer e entretenimento, impulsionada pela elevação da renda da população. André Valério, economista sênior do Inter, acrescenta que o setor de tecnologia tende a ser menos afetado por ciclos econômicos, mantendo um desempenho positivo apesar das taxas de juros elevadas.

Previsões para o PIB e Impacto na Política Monetária

Os dados de dezembro levaram instituições financeiras a revisar suas previsões de PIB, com muitos especialistas apontando para uma estagnação na economia no último trimestre de 2025. Leonardo Costa, economista do ASA, acredita que as informações divulgadas pelo IBGE indicam uma perda de tração, corroborando expectativas de crescimento próximo de zero. Relatórios de bancos como o Bradesco e XP também refletem essa visão, projetando uma leve queda ou estabilidade no PIB total.

VEJA  Mercados Europeus: Queda Generalizada com Destaque para Londres em Alta

Expectativas para 2026 e Movimentações no Mercado de Juros

Em relação ao futuro, as projeções para 2026 apresentam opiniões divergentes. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, antecipa uma desaceleração mais acentuada no setor de serviços, com um crescimento modesto de 0,84% ao final do ano, influenciado pela política monetária restritiva. Em contrapartida, a XP prevê um crescimento mais robusto de 3% para a receita de serviços, sustentado por um aumento significativo da renda disponível das famílias. Esse cenário sugere que, embora dezembro tenha trazido resultados negativos, há otimismo cauteloso para o próximo ano.

Conclusão: Desafios e Oportunidades no Setor de Serviços

O cenário atual para o volume de serviços no Brasil é de desafios e oportunidades. A queda em dezembro sinaliza a necessidade de atenção aos setores mais vulneráveis, como transportes, enquanto a resiliência em áreas como tecnologia e serviços para as famílias aponta possíveis caminhos para recuperação. Com a expectativa de cortes na taxa de juros, o próximo ano pode trazer um novo dinamismo ao setor, desde que os sinais de desaceleração sejam devidamente endereçados.

Fonte: https://www.infomoney.com.br