CPI do Senado Investiga Lucros da Meta com Crimes Online

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© Marcello Casal jr/Agência Brasil

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado do Senado brasileiro convocou a Meta, empresa controladora de plataformas como WhatsApp, Facebook e Instagram, para esclarecer os lucros gerados por atividades ilícitas que ocorrem em suas redes sociais. A audiência, realizada nesta terça-feira (24), trouxe à tona preocupações sobre o impacto econômico e social dos crimes virtuais.

Questionamentos sobre a Lucratividade da Meta

Durante a sessão, o relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), enfatizou que a Meta pode estar se beneficiando financeiramente de anúncios relacionados a fraudes e golpes, que geram receitas exorbitantes. Vieira alertou que esses lucros, que podem alcançar bilhões de dólares, seriam um incentivo à permanência desse tipo de conteúdo nas plataformas digitais.

Criptografia e Dificuldades na Investigação

O relator apontou que a Meta, ao adotar a criptografia de ponta a ponta em suas mensagens, estaria dificultando a atuação das autoridades. Essa tecnologia impede que partes externas acessem conversas privadas, o que, segundo Vieira, poderia favorecer atividades criminosas, mesmo diante de alertas internos sobre as consequências dessa escolha.

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Defesa da Meta e Medidas Contra Fraudes

Em resposta aos questionamentos, Yana Dumaresq Sobral Alves, diretora de políticas econômicas para a América Latina da Meta, negou que a empresa lucra com fraudes. Ela afirmou que a prioridade da companhia é manter suas plataformas livres de conteúdos maliciosos e destacou as ações adotadas para detectar e bloquear campanhas fraudulentas.

Desafios Legais e Ações Judiciais

A Meta enfrenta processos judiciais nos Estados Unidos relacionados à facilitação da exploração sexual de menores e à promoção de conteúdos ilegais. A empresa refuta essas alegações, mas a situação levanta questões sobre a responsabilidade das plataformas digitais na prevenção de crimes.

Exploração Sexual em Redes Sociais

O uso de redes sociais para exploração sexual não se restringe à Meta. Outras plataformas, como a X, também estão sendo investigadas pela União Europeia, que apura o uso de Inteligência Artificial para criar conteúdos sexualizados de indivíduos, incluindo crianças.

Dados sobre Fraudes e Medidas de Combate

O senador Vieira solicitou informações sobre os lucros da Meta com fraudes, apresentando dados que indicam que a empresa teria gerado cerca de US$ 16 bilhões em 2024 apenas com anúncios fraudulentos. A Meta, por sua vez, declarou que desarticulou milhões de contas associadas a atividades criminosas e removeu centenas de milhões de anúncios enganosos.

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Reação da Meta a Acusações

Em resposta a uma matéria da Reuters sobre documentos internos que supostamente orientam a empresa a evitar regulação estatal, a diretora Yana reafirmou que a Meta tem trabalhado arduamente no combate a fraudes e que a confiança de usuários é fundamental para o sucesso de suas operações.

Conclusão: Necessidade de Regulamentação

A CPI do Crime Organizado destaca a urgência de se estabelecer regulamentações mais rigorosas para as grandes plataformas digitais. A situação atual evidencia um desafio significativo no combate ao crime virtual, e a discussão sobre a responsabilidade das empresas nesse contexto é vital para a proteção dos usuários e a integridade do ambiente digital.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br