Em uma análise profunda sobre a atual situação do setor petrolífero brasileiro, Pedro Parente, ex-CEO da Petrobras, destaca uma contradição que intriga a população: o Brasil é autossuficiente em petróleo bruto, mas continua a depender do mercado internacional para abastecer seus postos de gasolina. Essa realidade paradoxal, segundo Parente, é resultado de decisões políticas e da infraestrutura de refino do país, que há anos não evolui de maneira adequada.
A Questão do Refino e a Dependência Externa
Parente revelou em entrevista ao programa Hot Market da CNN Brasil que o Brasil extrai mais de 4 milhões de barris de petróleo diariamente, enquanto o consumo interno não ultrapassa metade desse total. Contudo, ele enfatiza que o petróleo bruto não é o produto consumido diretamente, mas sim derivados como gasolina, diesel e gás liquefeito de petróleo (GLP). Essa dependência de importações de derivados é, portanto, uma consequência direta da capacidade limitada de refino do país.
O Desafio das Refinarias Brasileiras
Um dos principais problemas apontados por Parente é a quantidade e a capacidade das refinarias brasileiras, que não são suficientes para processar toda a demanda interna. Ele explica que, enquanto o petróleo do pré-sal possui características leves e de alta qualidade, as refinarias existentes foram projetadas para lidar com óleos mais pesados, criando um descompasso que força o Brasil a importar derivados de petróleo.
Propriedade e Políticas de Preço
Ao abordar a questão dos preços dos combustíveis, Parente critica a confusão sobre quem realmente controla a Petrobras. Ele argumenta que, apesar do governo ter a maioria das ações ordinárias, os acionistas minoritários detêm a verdadeira propriedade da empresa, tornando inviável qualquer política de preços que não respeite o mercado. Para ele, a solução seria fechar o capital da Petrobras, permitindo que o governo tome decisões sem interferir nos lucros dos acionistas.
Desafios da Privatização e Investimento Estrangeiro
Outro ponto relevante na análise de Parente é a recente privatização da Refinaria Mataripe, na Bahia, vendida a um fundo soberano dos Emirados Árabes. A presença de investidores estrangeiros na cadeia de refino brasileira levanta preocupações sobre a viabilidade de práticas de preços artificiais que poderiam desestimular futuros investimentos. Parente adverte que uma política de preços que não reflita a realidade do mercado pode enviar sinais negativos a potenciais investidores.
A Necessidade de Políticas Mais Justas
Por fim, Parente reconhece a pressão que os caminhoneiros exercem sobre o governo, mas critica a abordagem atual que oferece subsídios indiscriminados. Ele argumenta que essa estratégia beneficia tanto os caminhoneiros, que enfrentam dificuldades, quanto os proprietários de iates, que não precisam de suporte financeiro. Para ele, é essencial desenvolver políticas que sejam mais direcionadas e justas, evitando que os recursos públicos sejam mal alocados.
A análise de Pedro Parente lança luz sobre as complexidades do setor petrolífero brasileiro, revelando a necessidade urgente de uma reavaliação das políticas de refino e de preços, além de um maior entendimento sobre a estrutura de propriedade da Petrobras. Somente assim o Brasil poderá avançar em direção a uma maior eficiência e independência no abastecimento de combustíveis.
Fonte: https://www.infomoney.com.br




