Na manhã desta quinta-feira (26), o consórcio MEZ-RZK Novo Centro triunfou no leilão destinado à concessão da construção e operação do novo centro administrativo do governo de São Paulo. O evento ocorreu na sede da B3, localizada no coração da capital paulista, com a presença de autoridades como o governador Tarcísio de Freitas e o prefeito Ricardo Nunes.
Detalhes da Concessão
O consórcio, composto pelas empresas Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property, apresentou uma proposta que incluiu um desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública mensal máxima, que estava fixada em R$ 76,6 milhões. Essa oferta superou a proposta da concorrente Acciona-Construcap, que ofereceu um desconto de 5%.
Responsabilidades e Investimentos
O consórcio vencedor assumirá a responsabilidade pela construção, operação e manutenção do complexo por um período de 30 anos. Isso inclui serviços essenciais como limpeza, segurança e conservação do espaço. O investimento total estimado para o projeto é de R$ 6 bilhões.
Impacto na Cidade
Durante o leilão, o governador Tarcísio de Freitas destacou a importância do projeto, descrevendo-o como um 'legado' para a capital paulista. Ele mencionou que a meta inicial do governo era contratar R$ 220 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos, mas que, com os leilões realizados, esse número deverá alcançar R$ 394 bilhões, refletindo em obras, geração de empregos e prosperidade para a região.
Reabilitação do Centro
O governador enfatizou que a centralização das estruturas administrativas em um único local, na área dos Campos Elíseos, trará maior eficiência e economia de tempo para cerca de 22 mil servidores. Ele acredita que essa mudança será benéfica não apenas para a administração pública, mas também para a revitalização do centro da cidade, especialmente em relação ao problema da Cracolândia.
Reações da Comunidade
O leilão foi realizado sob forte esquema de segurança, com a Polícia Militar bloqueando ruas nas proximidades da B3 para evitar tumultos causados por manifestações. Movimentos como a Frente de Luta por Moradia (FLM) e a União dos Movimentos de Moradia (UMM) protestaram contra o projeto, argumentando que a obra poderá resultar em desapropriações e gentrificação, prejudicando os moradores de baixa renda.
Questionamentos e Respostas
Após o evento, uma moradora da região, a jornalista Jeniffer Mendonça, expressou sua insatisfação em relação à falta de diálogo com a comunidade, ressaltando que muitas pessoas não foram ouvidas sobre as mudanças que o projeto trará. Ela questionou o governador sobre a possibilidade de expulsão dos moradores que já habitam a área.
Em resposta, Tarcísio de Freitas afirmou que a desapropriação é um aspecto comum em grandes projetos de infraestrutura e que as situações serão avaliadas individualmente. O governador garantiu que ninguém ficará sem assistência, destacando que as indenizações seguirão as normas constitucionais, com o compromisso de oferecer suporte para que as pessoas encontrem novas moradias.
Considerações Finais
O leilão para o novo centro administrativo de São Paulo não apenas marca um passo significativo para a modernização da administração pública, mas também levanta questões importantes sobre o impacto social e econômico na comunidade local. A expectativa é que o projeto traga melhorias estruturais, mas a necessidade de um diálogo contínuo com os moradores se torna essencial para garantir que os benefícios sejam amplamente compartilhados.
Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br








