Brasil se Destaca na Grande Rotação Global de Investimentos

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Painel eletrônico mostra cotações na B3 10/07/2025 REUTERS/Alexandre Meneghini

Recentemente, a América Latina voltou a ser o centro das atenções para investidores globais, especialmente em razão da alta nas ações. Com uma performance promissora prevista para 2026, o Brasil se destaca como uma das principais apostas na região. Relatórios de instituições financeiras, como Bradesco BBI e Itaú BBA, indicam que a chamada 'grande rotação' está em andamento, com um movimento de saída de investimentos em grandes empresas de tecnologia dos EUA para ações internacionais, especialmente nas categorias de valor, cíclicas e small caps.

A Performance da América Latina e do Brasil

De acordo com o Bradesco BBI, o índice MSCI da América Latina já cresceu 18% somente neste ano, consolidando-se como o melhor índice regional do mundo, assim como ocorreu em 2025. O banco, ao revisar suas projeções, sugere que ainda há um potencial de alta de pelo menos 11%, considerando um cenário conservador que não leva em conta surpresas políticas ou eventos de curto prazo. Para o Bradesco BBI, a América Latina é a grande vencedora dessa reestruturação de portfólios, com a expectativa de que qualquer correção nas ações seja vista como uma oportunidade de compra.

Cenários Econômicos e Valuation Atraente

O Itaú BBA, por sua vez, destaca a análise de Gustavo Medeiros, Head de Research da gestora Ashmore, que considera o atual cenário econômico como um 'Goldilocks environment'. Este termo refere-se a um ambiente de pleno emprego, crescimento sustentável e inflação controlada, que é favorável para economias emergentes. Medeiros observa que, apesar do recente crescimento, as ações emergentes ainda apresentam valuations atrativos, com um índice preço/lucro (P/L) em torno de 13 vezes, em comparação com 17 vezes para mercados desenvolvidos, como o dos EUA.

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Fluxos de Investimentos e Oportunidades em Emergentes

Os fluxos de investimento em mercados emergentes têm mostrado sinais de recuperação, com cerca de US$ 60 bilhões entrando em ações e títulos de dívida em 2025, e já US$ 65 bilhões registrados até fevereiro deste ano. Apesar de ainda estarem abaixo dos níveis vistos no ciclo de 2009 a 2013, onde os investimentos totalizaram US$ 330 bilhões, esses números indicam um crescente interesse por parte dos investidores. O Itaú BBA organiza a tese de investimentos em emergentes em três áreas principais: tecnologia na Ásia, ativos reais/commodities, e defesa na Europa Oriental.

O Papel da América Latina na Rotação Global

Tanto o Bradesco BBI quanto o Itaú BBA veem a América Latina como uma peça fundamental na rotação global de investimentos, embora com enfoques distintos. Para o Bradesco, a região se destaca como a principal beneficiária do movimento de realocação de ativos, oferecendo menos volatilidade e gestão superior em comparação com o ciclo anterior a 2008. Já a Ashmore, conforme mencionado pelo Itaú BBA, ressalta que a América Latina apresenta valuations interessantes e se beneficia da demanda crescente por commodities ligadas à inteligência artificial.

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Perspectivas para o Brasil e Outros Países da Região

Neste contexto, Brasil e Chile são considerados os principais polos de atração de investimentos, enquanto México e Peru apresentam oportunidades específicas. A Colômbia, por outro lado, é vista com um valuation mais elevado em comparação com seus vizinhos. A combinação de fatores macroeconômicos e o retorno esperado de lucros ao longo de 2026 coloca o Brasil em uma posição privilegiada para atrair investimentos, consolidando sua reputação no cenário financeiro global.

Em síntese, a América Latina, com o Brasil à frente, é vista como uma alternativa atraente para investidores que buscam diversificação e oportunidades em um ambiente econômico em transformação. A expectativa é que o cenário continue a evoluir positivamente, refletindo tanto em novos fluxos de investimento quanto em uma valorização das ações na região.

Fonte: https://www.infomoney.com.br