Em 2026, a desvalorização do dólar americano se tornou um dos principais focos de atenção nos mercados financeiros globais. A migração de capitais que antes estavam concentrados nos Estados Unidos para outras regiões, especialmente em mercados emergentes, provocou um aumento expressivo nas bolsas de valores, impulsionando o otimismo entre investidores.
O Impacto do Dólar Fraco nos Mercados Emergentes
A atual tendência, que analistas internacionais têm chamado de 'debasement trade', está favorecendo países como o Brasil. O gestor Davi Fontenele destaca que, em termos de valorização, o Ibovespa, quando medido em dólares, se destaca como um dos índices que mais cresceu globalmente no acumulado do ano. No entanto, essa valorização não se traduziu em uma maior participação dos investidores locais na bolsa, que ainda mantêm uma alocação baixa em ações.
Fluxo de Investimentos Estrangeiros em Alta
Dados recentes mostram que, entre janeiro e fevereiro, investimentos estrangeiros injetaram cerca de R$ 33 bilhões na bolsa brasileira, marcando um dos maiores fluxos mensais registrados até hoje. Esse aumento contrasta com a situação dos investidores locais, que continuam a enfrentar resgates em seus fundos. Desde 2022, os gestores locais têm observado saídas significativas, impulsionadas pela atratividade da renda fixa, mesmo diante de rendimentos expressivos de fundos de ações.
Desempenho dos Gestores Locais e Estrangeiros
Embora os gestores brasileiros tenham apresentado um desempenho superior ao Ibovespa em 2025, a situação mudou drasticamente entre dezembro e fevereiro, quando a média de retorno caiu em 7%. Essa perda foi impulsionada pela valorização de ações como Vale e Petrobras, que muitos investidores locais mantinham com baixa alocação ou até mesmo em venda. Essa discrepância entre a atuação dos investidores locais e estrangeiros gerou um cenário de rápida perda de competitividade para os gestores brasileiros.
Visão Internacional sobre o Cenário Atual
Para compreender essa dinâmica sob uma perspectiva global, o programa Stock Pickers contou com a análise de Gustavo Medeiros, especialista em mercados emergentes. Ele apontou que estamos vivenciando o início de uma rotação significativa de investimentos, onde capitais que anteriormente buscavam segurança em ativos como S&P e ouro estão agora se direcionando para mercados subvalorizados, como o Brasil. A experiência da Coreia do Sul, que registrou um crescimento de mais de 38% em 2026 impulsionado pela inteligência artificial, foi citada como um paralelo ao que ocorre no Brasil.
Perspectivas para o Futuro
Medeiros acredita que o atual ciclo ainda está em seus estágios iniciais e que os fluxos de capital, embora significativos, são pequenos em comparação aos ciclos passados de mercados emergentes. Contudo, ele alerta para os riscos, como as eleições de meio de mandato nos EUA, que podem impactar as expectativas sobre a força do dólar. Apesar disso, ele mantém uma visão otimista em relação à continuidade dessa rotação de investimentos no curto prazo.
Conclusão
O Brasil se destaca em um contexto de movimentação global de capitais, com um fluxo crescente de investidores estrangeiros, enquanto os locais enfrentam desafios em sua alocação em ações. A dinâmica atual sugere uma oportunidade valiosa para os mercados emergentes, embora os investidores precisem permanecer vigilantes em relação às mudanças econômicas e políticas que podem influenciar esse cenário promissor.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








