O Banco do Brasil (BBAS3) divulgou na última quarta-feira (11) seus resultados referentes ao quarto trimestre de 2025, revelando números que superaram as expectativas do mercado, mas que também levantaram questões sobre a qualidade de seus ativos. Apesar de um lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões, o que representa uma queda de 40,1% em relação ao ano anterior, houve um crescimento de 51,7% comparado ao terceiro trimestre, superando as projeções que estimavam um lucro de R$ 4,5 bilhões.
Reação do mercado e flutuação das ações
Após a divulgação dos resultados, as ações do Banco do Brasil apresentaram uma forte valorização de 7,67%, alcançando R$ 26,82. No entanto, essa alta não se manteve ao longo do dia. Às 11h40, os papéis registravam uma elevação de apenas 1,69%, caindo para 0,04% de ganho por volta das 11h47. A situação se estabilizou um pouco mais à tarde, com as ações subindo 2,85% às 13h40, atingindo R$ 25,62.
Análise do desempenho financeiro
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do Banco do Brasil ficou em 12,4%, um avanço em relação aos 8,4% do trimestre anterior, mas ainda inferior ao 20,8% registrado no mesmo período do ano passado. A XP Investimentos destacou que o resultado representa uma recuperação em comparação ao terceiro trimestre de 2025, impulsionada por um efeito tributário positivo de R$ 1,8 bilhão. Apesar disso, os custos de crédito permaneceram elevados, totalizando R$ 18 bilhões, e a qualidade dos ativos no setor agrícola continua a ser uma preocupação.
Perspectivas e preocupações do mercado
Especialistas como o Morgan Stanley e o Itaú BBA expressaram preocupações com os resultados, apontando que o lucro operacional ficou abaixo do esperado devido a provisões elevadas para perdas com empréstimos e um crescimento lento na carteira de crédito. Por outro lado, o JPMorgan observou que, apesar das dificuldades, o lucro antes dos impostos superou suas expectativas em 20%. O Goldman Sachs também notou um aumento significativo na receita líquida de juros, embora as preocupações com a qualidade dos ativos rurais permaneçam.
Desafios futuros e tendências de crédito
Fernando Siqueira, da Eleven Financial, destacou um aumento nas perdas relacionadas ao crédito agrícola e um crescimento na inadimplência. Embora as provisões tenham aumentado, a discrepância em relação a outras carteiras foi notável. O Itaú BBA enfatizou que as tendências subjacentes para o 4T25 e para as projeções de 2026 são fracas, com um crescimento modesto na carteira total de empréstimos. A receita líquida de juros, por sua vez, teve um incremento de 5% em relação ao trimestre anterior, impulsionada por menores custos de captação.
Conclusão
O Banco do Brasil apresentou resultados que, apesar de positivos em alguns aspectos, levantam preocupações sobre a sustentabilidade de seu desempenho financeiro a longo prazo, especialmente em um ambiente desafiador como o do agronegócio. A expectativa é que o banco enfrente dificuldades contínuas relacionadas à qualidade de seus ativos e à inadimplência, o que poderá impactar suas projeções futuras e a confiança dos investidores.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








