Nos dois primeiros meses de 2026, a Bahia registrou um alarmante aumento de 42,5% nas tentativas de feminicídio, totalizando 57 casos. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando foram contabilizadas 40 ocorrências, os dados revelam uma situação preocupante em relação à violência contra as mulheres no estado.
Cenário de Violência e Feminicídios
Os dados, provenientes do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública, mostram que, ao somar os feminicídios consumados e as tentativas, o primeiro bimestre de 2026 já se destaca como o mais violento dos últimos dez anos, com um total de 73 registros. Apesar do aumento nas tentativas, observou-se uma ligeira redução nos feminicídios consumados, que caíram de 18 em 2025 para 16 este ano.
Análise das Especialistas
A professora Márcia Tavares, coordenadora do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim) da Universidade Federal da Bahia, alerta que a diminuição nos feminicídios consumados não reflete uma melhora real na segurança das mulheres. Segundo Tavares, a crescente espetacularização e banalização do tema nas mídias contribuem para um ambiente preocupante, onde a violência se torna parte do cotidiano.
Fatores Contribuintes para o Aumento
A pesquisadora Vanessa Cavalcanti sugere que o aumento nos casos pode estar relacionado ao contexto familiar durante as férias e festas. O convívio mais próximo pode intensificar tensões em lares onde já existem conflitos, elevando o risco de violência. Ela aponta que a falta de controles sociais em períodos de férias pode agravar ainda mais essas situações.
Necessidade de Políticas Públicas
A professora e criminalista Daniela Portugal enfatiza a urgência de políticas públicas eficazes para prevenir o feminicídio. Para ela, a ocorrência de tentativas de feminicídio já demonstra uma falha do Estado em proteger as vítimas. Portugal defende que as iniciativas devem ser fundamentadas em dados e estratégias concretas, evitando que a sorte seja o único fator a prevenir a consumação do crime.
Desigualdade Regional e Subnotificação
Dados indicam que 93% dos feminicídios consumados ocorreram fora da capital baiana. A desembargadora Nágila Brito explica que a falta de infraestrutura no interior do estado, como delegacias especializadas e casas de apoio, contribui para esse cenário. Ela ressalta que muitos casos acabam sendo subnotificados devido à ausência de suporte adequado para as vítimas.
Ações em Andamento
Em resposta ao aumento da violência de gênero, a Secretaria da Segurança Pública da Bahia anunciou a ampliação das ações de combate, incluindo a criação de unidades especializadas dentro da Polícia Civil e Militar. Além disso, iniciativas como o 'Baralho Lilás', que visa divulgar informações sobre suspeitos de crimes contra mulheres, e campanhas educativas como a cartilha 'Meu Namoro é Massa' estão sendo implementadas para promover a conscientização sobre relações saudáveis.
Conclusão
O aumento significativo nas tentativas de feminicídio na Bahia é um indicativo preocupante da violência de gênero no estado. Apesar da leve queda nos feminicídios consumados, especialistas alertam para a necessidade urgente de ações efetivas e políticas públicas que garantam a proteção das mulheres. Somente com um esforço conjunto e estruturado será possível enfrentar e reduzir esses índices alarmantes.
Fonte: https://www.carlosbritto.com




