Na última sexta-feira, 27 de fevereiro, o mercado de títulos do Tesouro Direto apresentou um movimento misto nas suas taxas de rendimento. A divulgação do IPCA-15, que registrou um aumento de 0,84% em fevereiro, acima das expectativas do mercado, impactou especialmente os títulos prefixados. Contudo, a pressão foi atenuada por uma queda nos rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os Treasuries.
Impacto do IPCA-15 nas Taxas Prefixadas
O resultado do IPCA-15 trouxe à tona uma inflação mais acentuada do que o previsto, especialmente devido à aceleração nos núcleos de inflação e surpresas altistas em bens industriais. Marianna Costa, economista da Mirae Asset, comenta que a leitura qualitativa da inflação foi mais pressionada do que se esperava, indicando uma disseminação da inflação de serviços. Como resultado, as taxas de rendimento para os títulos prefixados aumentaram, com o Tesouro Prefixado 2029 subindo para 12,70% e o 2032 alcançando 13,30%.
Expectativas para a Política Monetária
A dinâmica inflacionária desafiadora, combinada com expectativas de inflação sem ancoragem e um hiato positivo do produto, está levando o Goldman Sachs a sugerir uma abordagem conservadora na política monetária. Apesar disso, a instituição ainda projeta um início do ciclo de queda da taxa Selic na próxima reunião do Copom. Esse cenário de incerteza monetária tem gerado ajustes nas expectativas do mercado.
Desempenho dos Títulos Indexados à Inflação
Enquanto os títulos prefixados enfrentaram uma pressão de alta, os títulos indexados à inflação, como o Tesouro IPCA+ 2050, apresentaram um recuo significativo no juro real, caindo de 6,80% para 6,77%. Esse movimento de compressão foi observado em diversos outros vértices, com o IPCA+ 2040 e o IPCA+ 2045 ambos caindo para 6,98% e o IPCA+ 2060 registrando 6,94%.
Influência dos Treasuries no Mercado Brasileiro
A variação nas taxas do Tesouro Direto também foi influenciada pelos Treasuries, que experimentaram uma queda significativa na taxa dos títulos de 10 anos, reduzindo-se para 3,98% e marcando o melhor mês em um ano. Essa diminuição reflete uma crescente demanda por ativos considerados seguros, diante das incertezas da política econômica americana, além da expectativa de cortes de juros, que já estão sendo precificados pelos operadores para julho.
Resumo das Taxas do Tesouro Direto
Às 9h37 do dia 27 de fevereiro, as taxas do Tesouro Direto estavam assim dispostas: o Tesouro Selic 2031 rendia SELIC + 0,1001%, enquanto os títulos prefixados apresentavam os seguintes rendimentos: 12,70% para o 2029, 13,30% para o 2032 e 13,53% para o 2037. Já os títulos indexados à inflação mostravam: 7,39% para o IPCA+ 2032, 6,98% para o IPCA+ 2040 e 6,94% para o IPCA+ 2060.
Conclusão
O cenário atual do Tesouro Direto reflete uma complexa interação entre a inflação doméstica e as dinâmicas do mercado internacional. Com as taxas prefixadas sendo pressionadas pelo IPCA-15 e os juros reais cedendo em resposta aos Treasuries, os investidores devem permanecer atentos às próximas movimentações da política monetária e às tendências econômicas globais que podem influenciar suas decisões de investimento.
Fonte: https://www.infomoney.com.br







