A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) deu início a um processo disciplinar contra o deputado Lucas Bove, do PL, que poderá culminar na cassação de seu mandato. Este procedimento foi instaurado pelo Conselho de Ética e Decoro Parlamentar após uma representação da deputada Mônica Seixas, do PSOL, que acusa Bove de agressões de gênero, resultado de uma série de desavenças verbais que ocorreram durante as sessões na Casa.
As Acusações e o Contexto
As acusações contra Lucas Bove não se limitam ao ambiente legislativo. O deputado é réu em um processo judicial por violência doméstica, após ser denunciado por sua ex-esposa, Cíntia Chagas. Apesar de a Alesp possuir representações relacionadas a esse caso, elas ainda não foram analisadas. O incidente que motivou a atual representação ocorreu em 2 de setembro, quando Mônica Seixas confrontou Bove por seu comportamento agressivo durante uma discussão com a deputada Professora Bebel, do PT.
O Conflito no Plenário
Durante a sessão, Mônica Seixas interpelou Bove sobre seu modo de se dirigir a Bebel, que envolvia gestos agressivos. Em resposta, Bove se exaltou e revidou, alegando que falaria da forma que quisesse. O tom de voz elevado e o comportamento agressivo culminaram em uma troca de ofensas, levando à suspensão da sessão e à interrupção da transmissão ao vivo. Nesse momento, Bove disparou: "Não respeita você, não abaixo não, eu falo no tom que eu quiser".
Decisão do Conselho de Ética
Na última terça-feira (24), o Conselho de Ética da Alesp decidiu, por unanimidade, abrir o processo disciplinar contra Bove. Entre os deputados que votaram a favor estão Emídio de Souza (PT), Eduardo Nóbrega (Podemos), Rafael Saraiva (União), Paula da Bancada Feminista (PSOL) e Delegado Olim (PP). O deputado Emídio foi designado como relator do caso e enfatizou a necessidade de proteger a integridade e a dignidade das deputadas no ambiente legislativo.
Próximos Passos no Processo
O procedimento agora inclui a oitiva de testemunhas e a apresentação da defesa por parte de Bove. Ao término desse processo, o Conselho de Ética emitirá um parecer sobre a sanção a ser aplicada, que pode variar entre advertência, suspensão temporária do mandato ou até mesmo a cassação. A decisão final, no entanto, deverá ser ratificada em votação no Plenário da Alesp.
Reação de Lucas Bove
Em resposta às acusações e à abertura do processo, Lucas Bove divulgou uma nota afirmando que a denúncia surgiu de uma discussão comum no plenário e que não houve qualquer tipo de violência. Ele comparou sua situação a outros casos, insinuando uma suposta parcialidade nas decisões da Alesp, e argumentou que seu processo é mais um exemplo de perseguição política contra parlamentares alinhados ao bolsonarismo.
Conclusão
O caso de Lucas Bove na Alesp levanta questões importantes sobre a conduta de parlamentares e a necessidade de um ambiente legislativo respeitoso. A evolução deste processo disciplinar será observada de perto, tanto por seus desdobramentos legais quanto pelas implicações políticas que poderá gerar, especialmente em um ano eleitoral.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








