A Cachoeira dos Prazeres, um dos principais atrativos turísticos do Vale do Jiquiriçá, está passando por mudanças significativas em seu acesso. A Prefeitura de Jiquiriçá decidiu restringir a visitação ao local apenas aos domingos, decisão que tem gerado preocupações entre os moradores e ambientalistas. O temor é que a medida, implementada sob a gestão do prefeito Lucas de Deraldo, possa elitizar o acesso e comprometer a identidade cultural da região.
Concessão e gestão privada
A administração da Cachoeira dos Prazeres foi concedida à empresa RDS Serviços Ltda., de Valença, para um período de 10 anos, em contrato assinado na gestão anterior. A empresa é responsável por ordenar o fluxo de visitantes e manter a infraestrutura, com foco em melhorias como acessibilidade e segurança. O contrato, no valor de R$ 789.000,00, é válido até 2034.
Impactos na comunidade local
Com a nova gestão, a cobrança de ingressos foi implementada, diferenciando valores para residentes de 39 municípios do Vale do Jiquiriçá e Recôncavo Baiano. Enquanto visitantes gerais pagam R$ 30,00 pela entrada inteira, moradores locais têm desconto, pagando R$ 15,00. A medida visa mitigar o impacto financeiro sobre a população local, mas ainda gera debate sobre a acessibilidade do espaço.
Preocupações ambientais e culturais
Além das questões econômicas, há preocupações sobre a sustentabilidade e a preservação cultural do local. A concessionária deve implementar programas de coleta de lixo e conservação da mata ciliar, controlando o número de visitantes para evitar superlotação e poluição. No entanto, há receios de que o foco no lucro possa comprometer a recuperação da bacia hidrográfica e a tradição de uso do espaço.
Monitoramento e fiscalização
O Ministério Público da Bahia está acompanhando de perto a situação para garantir que o Plano de Manejo seja respeitado e que o direito de ir e vir não seja cerceado abusivamente. A medida da prefeitura, embora voltada para a preservação ambiental, enfrenta críticas pela forma como foi implementada e pela falta de diálogo com a comunidade local.
Em meio a esse cenário, a reportagem tentou contato com o prefeito Lucas de Deraldo para obter esclarecimentos, mas não obteve retorno.
Para mais informações sobre a gestão de patrimônios naturais, consulte o site do IBAMA.
Fonte: atarde.com.br
