Jorge Viana critica protecionismo e defende abertura comercial do Brasil

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Roberto de Lira, Marina Verenicz

O Brasil é reconhecido como uma potência comercial que exerce influência considerável em sua região, e essa posição deve ser defendida, segundo Jorge Viana, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Em entrevista ao InfoMoney, Viana enfatizou que o país não deve temer um aumento no fluxo de produtos europeus, resultado da assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia.

A crítica ao protecionismo

Viana, que possui uma trajetória política que inclui cargos como prefeito, governador e senador, criticou o excesso de protecionismo, que ele descreveu como um "complexo de vira-lata". Esta expressão, criada pelo dramaturgo Nelson Rodrigues, refere-se a um sentimento de inferioridade que, segundo ele, pode atrasar o desenvolvimento do país. "Proteger a soberania é essencial, mas quando se exagera, isso se torna um atraso irreversível", alertou.

O Brasil como gigante comercial

Ao classificar o Brasil como um gigante no comércio internacional, Viana apresentou dados impressionantes, como as reservas de cerca de US$ 350 bilhões, resultado de um saldo comercial positivo. Ele destacou que o país não deve temer competir no cenário global, mencionando que o volume de comércio com o Vietnã já supera o registrado com a França. Viana ressaltou que o mundo está em constante transformação e o Brasil precisa estar preparado para enfrentar essas mudanças.

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Desafios e oportunidades no acordo Mercosul-UE

Sobre as preocupações da França em relação ao acordo comercial, Viana reconheceu a necessidade de compreender esses posicionamentos, mas reiterou que as objeções não são válidas. Ele argumentou que a agricultura brasileira tem características distintas da europeia, principalmente por ser tropical e ter uma estrutura produtiva em larga escala, diferente das pequenas produções predominantes na Europa. Para ele, deixar que essas diferenças impeçam um acordo que pode trazer benefícios mútuos é um erro estratégico.

Um novo cenário global

Viana também abordou questões globais que impactam o comércio, como o envelhecimento populacional, a crise climática e a transição energética. Ele acredita que o Brasil e o Cone Sul podem oferecer soluções valiosas para a Europa, especialmente em um contexto de crise. O presidente da Apex destacou que o pragmatismo é fundamental nas negociações comerciais e elogiou a postura do presidente Lula nesse sentido.

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Incentivos para empresários brasileiros

Para os empresários que desejam expandir seus negócios internacionalmente, Viana aconselhou que tenham coragem e ousadia. Ele citou o exemplo de uma empreendedora paulista que, durante a pandemia, começou a produzir embalagens para guardanapos e agora exporta para os Estados Unidos. Essa história ilustra como a perseverança pode abrir portas no mercado global.

Apoio da Apex para a exportação

A ApexBrasil oferece diversos programas para auxiliar empresas na exportação, como o Qualifica Exportação, que já beneficiou mais de 20.000 empresas. Viana mencionou que, apenas em São Paulo, 2.640 empresas estão sendo qualificadas em diferentes polos regionais, com o objetivo de facilitar a inserção dessas organizações no mercado externo.

Em suma, Jorge Viana defende uma postura ativa e aberta do Brasil no comércio internacional, enfatizando que o protecionismo é um entrave ao progresso. O fortalecimento de laços comerciais com outras nações não apenas beneficia a economia brasileira, mas também contribui para um cenário global mais colaborativo e equilibrado.

Fonte: https://www.infomoney.com.br