A Campanha da Fraternidade de 2026, promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), traz à tona o tema 'Fraternidade e Moradia' com o lema 'Ele veio morar entre nós', inspirado no versículo de João 1,14. Essa iniciativa visa fomentar uma discussão crítica sobre o direito à moradia digna, um aspecto fundamental da vida humana, especialmente em um cenário onde a crise habitacional se torna cada vez mais alarmante.
Importância da Campanha da Fraternidade
Anualmente, a Campanha da Fraternidade é um importante instrumento de conscientização social promovido pela Igreja Católica no Brasil. Desde sua criação, a campanha aborda questões relevantes, estimulando não apenas a reflexão, mas também a mobilização da sociedade em ações solidárias. Com o tema de 2026 focado na moradia, a campanha se torna ainda mais pertinente diante do déficit habitacional crescente e do aumento significativo da população em situação de rua, que se agrava em diversas cidades do país.
Mobilização em Belém
Em Belém, o lançamento da campanha foi celebrado em grande estilo, com eventos simultâneos em suas oito Regiões Episcopais, reunindo milhares de fiéis e membros da comunidade. Essa mobilização não apenas propagou a mensagem da campanha, mas também criou um espaço essencial para discutir e desenvolver políticas públicas que visem enfrentar a complexa realidade do déficit habitacional na capital do Pará, onde a crise da moradia é uma questão urgente.
A Pastoral do Povo de Rua
A Arquidiocese de Belém, em consonância com o tema nacional, destaca a atuação da Pastoral do Povo de Rua, coordenada pela missionária Eugênia Costa. Embora a pastoral tenha uma história nacional de mais de vinte anos, sua atuação em Belém ganhou força a partir de abril de 2025, em resposta ao aumento da visibilidade da população em situação de vulnerabilidade. O principal objetivo da pastoral é ser uma presença acolhedora, ajudando a garantir o acesso a direitos e serviços públicos que muitas vezes são inacessíveis a essa população.
Atividades da Pastoral
Os voluntários da pastoral se dedicam, principalmente, às quartas-feiras e domingos, realizando visitas a ruas, praças e marquises. O intuito vai além de oferecer assistência imediata; é fundamental promover um espaço de diálogo e escuta das histórias de vida, compreendendo as diversas razões que levaram cada um à situação de rua. Eugênia Costa enfatiza a importância dessa escuta como um meio de restaurar a dignidade e o reconhecimento humano, muitas vezes ausentes na vida dessas pessoas.
Iniciativas e Projetos em Andamento
Um dos projetos de maior relevância da Pastoral do Povo de Rua é a criação da 'Casa do Pão', um espaço que funcionará como um ponto de apoio multifuncional. Este local visa oferecer rodas de conversa, orientações sobre direitos e encaminhamentos para serviços essenciais, como abrigos e programas de saúde. A pastoral busca parcerias para viabilizar a implementação desse projeto, que se configura como uma ponte entre a vida nas ruas e a reintegração social.
Desafios da Crise Habitacional
Os dados sobre a situação da população em situação de rua são alarmantes. Segundo o Observatório Brasileiro de Políticas Públicas, Belém conta com 1.474 pessoas vivendo nas ruas, enquanto o Brasil totaliza 327.925. A coordenação da Pastoral observa que a população em situação de rua cresce em níveis locais, nacionais e globais. Irmã Eugênia destaca que a permanência prolongada nas ruas aumenta as dificuldades para a recuperação, expondo essas pessoas a riscos de violência e à invisibilidade social.
Reflexões da Campanha
A Campanha da Fraternidade não apenas ilumina essa realidade muitas vezes invisível, mas também provoca reflexões sobre possíveis caminhos para enfrentar a crise habitacional. A mobilização da Igreja e da sociedade civil é fundamental para que se busquem soluções efetivas e duradouras, garantindo que todos tenham acesso a uma moradia digna.
Conclusão
A Campanha da Fraternidade de 2026 emerge como um chamado à ação e à solidariedade, promovendo um debate urgente sobre a moradia digna no Brasil. Em Belém, a atuação da Pastoral do Povo de Rua destaca a necessidade de um olhar mais atento e humano para aqueles que vivem à margem da sociedade. A luta pela dignidade habitacional é uma responsabilidade coletiva, e a mobilização em torno dessa causa pode ser o primeiro passo para um futuro mais justo e igualitário.
Fonte: https://portalpaidegua.com.br








