A questão da interoperabilidade nas infraestruturas de mercado voltou a ser um tema central nas discussões sobre a evolução do sistema financeiro brasileiro. Com o surgimento de novas propostas de bolsas de valores no país, a falta de integração entre depositárias e sistemas de liquidação pode criar um cenário de mercados paralelos, conforme alerta Edivar Queiroz, CEO da CSD BR, uma das candidatas a se firmar nesse setor.
O Que é Interoperabilidade?
Interoperabilidade refere-se à capacidade de diferentes sistemas e componentes de se comunicarem e operarem em conjunto de forma eficiente. No contexto do mercado financeiro, isso significa que ativos e informações podem transitar livremente entre diferentes plataformas e depositárias. Queiroz utiliza a analogia com o setor de telecomunicações para ilustrar sua importância, destacando que a interoperabilidade permite que uma pessoa faça chamadas a qualquer número, independentemente da operadora do destinatário.
Desafios da Falta de Interoperabilidade
Atualmente, as infraestruturas de mercado no Brasil operam de forma isolada, o que impede que ativos registrados em uma depositária sejam facilmente transferidos para outra. Essa segregação limita as opções para os investidores e reduz a competitividade, já que novos participantes enfrentam barreiras significativas para entrar no mercado. Queiroz enfatiza que, sem a interoperabilidade, os investidores perdem a liberdade de escolha, resultando em ineficiências no sistema.
Um Novo Ciclo de Concorrência
O debate sobre interoperabilidade surge em um momento estratégico de possíveis mudanças no ambiente competitivo do mercado financeiro. Com a CSD BR, a Base Exchange e a A5X planejando estabelecer operações organizadas no Brasil, o cenário aponta para um esforço em criar uma competição robusta contra a B3, que atualmente domina o mercado. Queiroz acredita que a interoperabilidade pode ser a chave para equilibrar a abertura do mercado e a preservação de escalas, garantindo a liquidez e a segurança necessárias.
Estratégia e Inovações da CSD BR
A CSD BR se destaca por sua estratégia focada na redução de custos operacionais, utilizando tecnologia própria em vez de depender de soluções estrangeiras. A empresa acredita que a diminuição das negociações bilaterais e uma maior simetria de informações podem resultar na redução dos spreads no mercado de renda fixa, ao mesmo tempo que potencializam o volume de negócios. Com a recente autorização para atuar como depositária e câmara de liquidação, a CSD está se posicionando como uma infraestrutura completa.
Expectativas Futuras
A CSD BR está aguardando a licença de contraparte central (CCP) para operar como uma bolsa plena, com a expectativa de que sua estrutura tecnológica seja finalizada antes da obtenção da licença. Nos próximos meses, a empresa concentrará seus esforços em renda fixa e derivativos. Recentemente, foi lançada uma plataforma de negociação para CDBs, que já começou a mostrar resultados positivos, com um aumento significativo em volumes de liquidação.
Com a CSD BR e outras iniciativas emergentes, o futuro do mercado financeiro brasileiro pode ser moldado por uma maior integração e competitividade, oferecendo aos investidores mais liberdade e eficiência.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








