A recente atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, trouxe à tona um debate crucial sobre os penduricalhos salariais no setor público. Desde a promulgação da Constituição de 1988, a independência financeira dos poderes tornou-se um tema central, mas a prática de conceder benefícios adicionais aos servidores tem gerado preocupações sobre a sustentabilidade fiscal do país.
O Cenário Atual dos Penduricalhos
Dino tem se concentrado especialmente no Legislativo e no Judiciário, onde os gastos com salários têm crescido substancialmente. No orçamento de 2026, as despesas do poder Legislativo somam R$ 19,39 bilhões, enquanto o Judiciário federal representa R$ 86,64 bilhões. Em contrapartida, o Executivo federal possui um orçamento de R$ 6,24 trilhões, o que evidencia a disparidade nas alocações de recursos entre os diferentes poderes.
Impacto dos Benefícios Salariais
Historicamente, uma significativa parte do orçamento dos poderes Legislativo e Judiciário foi destinada a benefícios salariais, resultando em um aumento considerável das remunerações das elites, como magistrados e servidores de alta especialização. Essa tendência é observada em diversos estados, como Pernambuco, onde o orçamento do Judiciário é de R$ 3,36 bilhões, enquanto o do Legislativo chega a R$ 1,92 bilhão, com uma fatia considerável destinada ao Tribunal de Contas do Estado.
A Iniciativa de Flávio Dino
Com o intuito de conter esses excessos, Flávio Dino proibiu a edição de novas leis que possibilitem o pagamento de salários ou verbas indenizatórias acima do teto constitucional, uma medida que ele define como um 'freio de arrumação'. O despacho do ministro também inclui uma cláusula que impede o reconhecimento de novas parcelas referentes a direitos pretéritos que não tenham sido pagos até a publicação da liminar.
Desafios e Implicações
A atuação de Dino não se limita apenas ao combate aos penduricalhos, mas reflete uma tentativa de responsabilizar aqueles que, ao longo dos anos, têm contribuído para a proliferação de parágrafos legais que favorecem um número restrito de servidores. A crítica é direcionada a presidentes de Assembleias Legislativas e Tribunais de Justiça que, sem a devida responsabilização fiscal, têm comprometido os duodécimos com salários exorbitantes.
Perspectivas Futuras
A luta de Flávio Dino é emblemática e representa um chamado à responsabilidade fiscal dentro do setor público. A prática de criar dispositivos legais que contornam o teto salarial se tornou comum entre os estados, e a resistência a essa mudança por parte de certos membros do Judiciário e do Legislativo poderá dificultar a implementação de uma reforma efetiva. A situação requer um reexame das normas estabelecidas para garantir que a autonomia financeira dos poderes não comprometa a saúde fiscal do país.
Assim, a batalha contra os penduricalhos é um reflexo das complexidades da gestão pública, onde a busca por equilíbrio entre direitos adquiridos e responsabilidade fiscal se torna cada vez mais necessária. O desfecho dessa disputa poderá definir não apenas o futuro das finanças públicas, mas também a confiança da sociedade nas instituições que regem o país.
Fonte: https://jc.uol.com.br








