A Nestlé, uma das maiores empresas alimentícias do mundo, está em fase de negociações para a venda de sua divisão de sorvetes, conforme anunciado pelo novo diretor-presidente Philipp Navratil. Essa movimentação faz parte de uma estratégia mais ampla de simplificação das operações da companhia, que já vem sendo implementada nos últimos anos.
Negociações com a Froneri
As conversas atuais envolvem a venda das marcas próprias de sorvetes da Nestlé para a joint-venture Froneri, que é uma colaboração entre a empresa e a gestora de private equity PAI Partners. Navratil confirmou que a estrutura acionária da Froneri permanecerá inalterada após a transação, o que indica uma continuidade na parceria estabelecida entre as partes.
Marcas Envolvidas e Impacto no Portfólio
A divisão de sorvetes da Nestlé inclui marcas conhecidas como D’Onofrio, Real Dairy, Parlour e Lafrutta. A venda dessas marcas permitirá à Nestlé concentrar-se em seus segmentos principais, como café, petcare, nutrição e alimentos/snacks, que são considerados mais estratégicos para o crescimento futuro da empresa.
Cenário de Mercado e Reação das Ações
Recentemente, as ações da Nestlé apresentaram uma alta de até 4,5% no início do pregão, refletindo um otimismo renovado entre os investidores. Embora a companhia tenha enfrentado desafios e um desempenho inferior em comparação com concorrentes como Unilever e Danone, a recuperação parece estar em andamento, com um aumento acumulado de cerca de 2,1% desde o início do ano.
Perspectivas de Crescimento e Reestruturação
Navratil, em sua comunicação com analistas, expressou confiança na trajetória de crescimento da Nestlé, projetando um aumento na receita orgânica entre 3% e 4% até 2026. Esta previsão supera a estimativa de 3,2% de analistas consultados. Além disso, a empresa já conseguiu atingir cerca de 20% das economias planejadas em seu programa de redução de custos.
Desafios na Liderança e Mudanças Estruturais
Desde que assumiu a liderança em setembro, Navratil enfrentou um período turbulento, incluindo a demissão de 16 mil funcionários e a necessidade de gerenciar a crise de governança interna. Ele é o terceiro CEO da Nestlé em dois anos, o que reflete uma rotatividade significativa na alta administração. Para estabilizar a situação, mudanças nos incentivos gerenciais e na estrutura de remuneração foram implementadas, visando aprimorar a cultura de desempenho na companhia.
Novas Direções e Governança
O presidente do conselho, Pablo Isla, também está adotando medidas para reestruturar a governança da empresa, com nomeações de executivos experientes para reforçar a supervisão e a tomada de decisões. A inclusão de figuras como Thomas Jordan, ex-presidente do Banco Nacional da Suíça, e Fatima Francisco da Procter & Gamble busca trazer uma nova perspectiva e estabilidade à Nestlé, que se prepara para enfrentar os desafios futuros.
Diante dessas mudanças, a Nestlé parece determinada a se reposicionar no mercado e a focar em um crescimento sustentável, enquanto simplifica suas operações e fortalece sua estrutura de governança.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








