O caso do assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, ganhou novos desdobramentos com a recente denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa. Acusado de obstruir a investigação e de integrar uma associação criminosa, Barbosa agora se vê novamente no centro das atenções, às vésperas do julgamento que se aproxima.
Acusações e Novas Denúncias
Juntamente com Rivaldo, o MPF também denunciou Giniton Lages, outro delegado, e o comissário de polícia Marco Antonio Pinto Barros. Os três enfrentam acusações relacionadas a crimes de associação criminosa e obstrução da justiça, não apenas no contexto do duplo homicídio, mas também na tentativa de homicídio da assessora de Marielle, Fernanda Chaves. O crime, que ocorreu em 14 de março de 2018, está prestes a completar oito anos.
Contexto das Investigações
Essa nova denúncia é a segunda apresentada pelo vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand. A primeira focou nos supostos mandantes do crime, incluindo Rivaldo, que é apontado como o mentor intelectual do assassinato. Além dele, estão entre os réus os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, e outros policiais militares envolvidos. O julgamento dos réus está agendado para ocorrer no dia 24 de fevereiro, logo após o carnaval.
Detalhes da Nova Acusação
As acusações recentes surgem a partir das investigações do Inquérito 4.954, que levou ao desmembramento do caso para aprofundar a apuração sobre a associação criminosa e a obstrução de justiça. Segundo a denúncia, os denunciados, junto com outros policiais e indivíduos não identificados, formaram uma rede para garantir a impunidade em homicídios cometidos por organizações criminosas no Rio de Janeiro.
Métodos e Estrutura da Organização
De acordo com o MPF, o grupo mantinha controle sobre investigações de crimes relacionados a milicianos, especialmente em disputas territoriais e no gerenciamento de atividades ilícitas, como jogos de azar. O modo de operação da organização incluía práticas como a ocultação de provas, a manipulação de inquéritos e a incriminação de inocentes.
Impacto no Sistema de Justiça
A denúncia ressalta que Rivaldo, enquanto diretor da Divisão de Homicídios, teria se comprometido a garantir a impunidade dos autores do crime contra Marielle, dentro de um contexto de 'mercantilização de homicídios' no estado. O vice-procurador-geral pede a condenação dos denunciados por associação criminosa e obstrução de justiça, além da manutenção de medidas cautelares, a perda dos cargos públicos e a indenização por danos morais coletivos.
Conclusão
O caso de Marielle Franco continua a ser um símbolo da luta por justiça no Brasil. As novas denúncias contra integrantes da Polícia Civil evidenciam a complexidade e a gravidade da situação, reforçando a necessidade de um sistema investigativo que funcione de maneira imparcial e eficaz. O julgamento dos réus poderá trazer novos elementos à luz e, quem sabe, contribuir para a resolução desse crime que ainda clama por justiça.
Fonte: https://www.infomoney.com.br








