O Museu de Arte Sacra de São Paulo (MAS-SP) abre suas portas para uma celebração da rica cultura amazônica com a exposição "Sairé – Celebração, louvor e disputa dos Botos". Inaugurada no último sábado, 7 de outubro, a mostra é uma realização do renomado documentarista paraense Alexandre Baena e já percorreu diversas regiões do Brasil. A exposição é uma oportunidade para o público paulista vivenciar a vibrante festa da vila de Alter do Chão, localizada em Santarém, Pará.
A Profundidade da Exposição
Com uma seleção de imagens que transmitem sensibilidade e profundidade, a exposição de Baena revela as várias dimensões do Sairé. O evento é uma fusão entre um rito religioso que homenageia a Santíssima Trindade, misturando tradições católicas e indígenas Borari, e um momento profano repleto de competição, onde os botos Tucuxi e Cor-de-Rosa disputam a atenção do público. A noite de abertura foi marcada por uma apresentação da Corte do Sairé, que encantou os visitantes com cânticos e simbolismos que evocam a essência da festa.
As Origens do Sairé
Para entender a relevância da exposição, é essencial explorar as origens do Sairé. Essa festividade, que é mais do que uma simples celebração folclórica, é considerada um patrimônio imaterial com raízes na cultura indígena Borari. A festa remonta a séculos e incorpora elementos dos rituais jesuítas do século XVII, resultando em um sincretismo religioso que une a fé católica a crenças ancestrais, criando um espetáculo único de devoção e celebração.
Fases da Celebração
O Sairé é dividido em duas fases interligadas. A primeira, de caráter religioso, é marcada por procissões, ladainhas e a famosa 'puxada do mastro', onde os rituais invocam a proteção da natureza. Essa fase é um momento de louvor e comunhão, refletindo a espiritualidade dos povos tradicionais. Em contraste, a segunda fase é caracterizada por uma competição vibrante entre os botos, onde a dança e a teatralidade se entrelaçam para contar histórias de amor e desafios, em uma celebração que cativa o público.
A Visão de Alexandre Baena
Alexandre Baena, com seu olhar sensível e intimista, vai além da mera documentação dos eventos. Ele captura a essência dos rostos e gestos dos participantes, as cores vibrantes e a mística que permeia a festa. O documentarista ressalta que seu trabalho busca evidenciar as expressões dos povos tradicionais e a presença de elementos sobrenaturais que enriquecem o Sairé. Sua obra já foi bem recebida em outras capitais brasileiras, preparando o terreno para essa importante exibição no Museu de Arte Sacra.
Importância Cultural da Exposição
A escolha do MAS-SP para abrigar a exposição "Sairé" é significativa, pois, apesar de seus elementos profanos, o evento é enraizado no sincretismo religioso. Isso faz do museu um espaço adequado para apresentar a diversidade do que é considerado sagrado na cultura brasileira. Ao trazer a cultura amazônica para o centro financeiro e cultural de São Paulo, a exposição busca desmistificar estereótipos, combater a invisibilidade e fomentar um intercâmbio cultural essencial, permitindo que mais pessoas apreciem a grandiosidade do Sairé.
Com essa mostra, o Museu de Arte Sacra de São Paulo se torna um ponto de conexão entre a Amazônia e o público urbano, celebrando a rica tapeçaria cultural que caracteriza o Brasil e reafirmando a importância de preservar e valorizar as tradições locais.
Fonte: https://portalpaidegua.com.br




