Crescimento Alarmante da Violência no Campo do Pará: CPT Revela Aumento de Assassinatos e Conflitos Agrários

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Portal Pai D'Égua

A situação de violência nos campos do Pará atinge níveis preocupantes, conforme indica um recente estudo realizado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Esta organização, que se dedica à proteção dos direitos dos povos que habitam áreas rurais, revelou que o estado se destaca negativamente no cenário nacional de conflitos agrários, com um assustador aumento de 75% nos assassinatos ocorridos em áreas rurais em 2025, refletindo um histórico de tensões que se arrasta por décadas.

Aumento de Assassinatos no Campo

O ano de 2025 já apresenta um aumento significativo na violência rural no Pará, com sete assassinatos registrados até agora. Esse número representa um crescimento considerável em relação ao ano anterior, que contabilizou quatro mortes. Segundo José Batista Afonso, assessor jurídico da CPT, o Pará tem sido consistentemente um dos estados com os índices mais altos de violência no Brasil, incluindo não apenas homicídios, mas também trabalho escravo e conflitos pela posse da terra.

Ranking Nacional de Conflitos Agrários

Além do alarmante aumento de assassinatos, o Pará ocupa a segunda posição no ranking nacional de conflitos agrários, com 314 ocorrências registradas em 2024. Esse total representa um incremento de 32% em relação a 2023, quando foram documentados 237 conflitos. Esses embates são impulsionados por disputas por terras, acesso a recursos naturais e a luta pela sobrevivência de comunidades tradicionais. O Maranhão lidera o ranking com 420 casos, enquanto a Bahia vem em terceiro com 171.

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Histórico de Violência na Última Década

Um olhar sobre a última década revela que entre 2015 e 2024, o Pará registrou um total de 84 mortes relacionadas a conflitos no campo. O ano de 2017 se destacou como o mais letal, com 23 assassinatos. Esse histórico não só evidencia a continuidade das violações de direitos humanos, mas também sugere a ineficácia das políticas públicas e da fiscalização destinadas a proteger as populações vulneráveis.

Conflitos Relacionados à Água

Em 2024, o Pará também foi o estado com o maior número de conflitos relacionados à água, totalizando 65 ocorrências. Dentre essas, seis casos foram relacionados à contaminação por agrotóxicos, afetando 438 famílias em várias localidades. As áreas mais afetadas incluem Marajó, Baixo Amazonas e o Nordeste Paraense. A contaminação da água não apenas compromete a saúde das comunidades, mas também impacta a pesca e a agricultura, essenciais para a subsistência dessas populações.

Fatores que Contribuem para a Violência

José Batista Afonso destaca que a prevalência de violência no Pará está ligada a uma série de fatores, incluindo trabalho escravo contemporâneo e intensas disputas pela terra. Nos últimos 45 anos, o estado registrou 59 chacinas e o assassinato de 137 líderes sociais e religiosos que lutam pelos direitos e terras das comunidades. Esse contexto de impunidade e brutalidade é um reflexo das condições de vulnerabilidade em que essas populações vivem.

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A Influência do Agronegócio e dos Interesses Econômicos

Os altos índices de violação de direitos no campo paraense estão fortemente relacionados à expansão do agronegócio e à exploração dos recursos naturais da Amazônia. José Batista aponta que a região é alvo de interesses econômicos vorazes devido à sua riqueza natural ainda não totalmente explorada. O aumento dos conflitos em 2024, por exemplo, revela a luta entre os direitos das comunidades e as demandas de grandes interesses financeiros.

Conclusão: Um Cenário de Esperança Necessária

A realidade dos conflitos no campo do Pará exige uma atenção urgente das autoridades e da sociedade civil. A continuidade dessa escalada de violência e a ineficácia das políticas de proteção tornam evidente a necessidade de uma abordagem mais efetiva que priorize os direitos humanos e a justiça social. Somente por meio de ações concretas e um compromisso coletivo será possível reverter esse quadro preocupante e garantir a dignidade e a segurança das comunidades rurais.

Fonte: https://portalpaidegua.com.br