Banco de Brasília apresenta plano de R$ 5 bilhões ao Banco Central até sexta-feira

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Sede do BRB em Brasília 01/04/2025 REUTERS/Adriano Machado

O Banco de Brasília (BRB) se prepara para submeter ao Banco Central (BC) um plano de ações visando a recomposição de seu balanço patrimonial em pelo menos R$ 5 bilhões. Essa estratégia tem como principal meta restaurar a qualidade dos ativos do banco e garantir a sua credibilidade após a exposição a operações que aumentaram o risco financeiro da instituição.

Urgência na execução do plano

Caso o plano seja aprovado pelo BC, ele deverá ser implementado em um prazo máximo de seis meses. Algumas das medidas propostas podem necessitar de aprovação da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), uma vez que o Governo do Distrito Federal (GDF) é o acionista controlador do BRB, detendo 71,92% do capital da instituição. O governador Ibaneis Rocha já demonstrou disposição em utilizar parte do patrimônio público do DF para fortalecer o capital do banco.

Contexto da necessidade do reforço financeiro

A urgência desse reforço financeiro se intensificou após o BRB se expor a ativos problemáticos do Banco Master. Desde o final de 2024, o banco público investiu somas significativas na aquisição de carteiras de crédito que, posteriormente, revelaram inconsistências graves. Parte desses créditos havia sido comprada pelo Banco Master a preços muito baixos e revendida ao BRB, que pagou à vista sem que o banco privado tivesse quitado suas obrigações financeiras.

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Análise de risco e suporte do controlador

Apesar das dificuldades enfrentadas, especialistas do mercado não veem risco imediato de falência ou liquidação do BRB, principalmente devido ao apoio do controlador. No entanto, a recuperação do capital é fundamental para manter os índices prudenciais e assegurar a confiança no sistema financeiro.

Alternativas para recomposição do capital

Em um comunicado emitido no final de janeiro, o BRB apresentou diversas alternativas que estão sendo consideradas para a recomposição de seu capital. Entre essas opções, destacam-se a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) utilizando imóveis do DF, a contratação de um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e aportes diretos dos acionistas, o que poderia envolver o governo do DF.

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Implicações do caso Banco Master

O cenário envolvendo o Banco Master também é relevante, pois o BRB chegou a negociar a aquisição de uma parte significativa do banco, uma transação que contava com o apoio do GDF, mas que foi interrompida pelo Banco Central. Em novembro, o BC determinou a liquidação do Banco Master, que enfrentava uma severa crise de liquidez. Desde então, investigações do Ministério Público têm apurado indícios de gestão fraudulenta nas transferências que envolveram o BRB, estimadas em R$ 16,7 bilhões entre 2024 e 2025, com cerca de R$ 12 bilhões direcionados a carteiras de crédito sem garantias.

Conclusão

A entrega do plano ao Banco Central é um passo crucial para o BRB, que busca não apenas restabelecer seu equilíbrio financeiro, mas também recuperar a confiança dos investidores e da população. A implementação bem-sucedida das medidas propostas será vital para a sustentabilidade a longo prazo da instituição e para a estabilidade do sistema financeiro do Distrito Federal.

Fonte: https://www.infomoney.com.br