O Ministério Público Militar (MPM) está se preparando para formalizar um pedido ao Superior Tribunal Militar (STM) nesta semana, visando a perda de posto e patente do ex-presidente Jair Bolsonaro, do ex-comandante da Marinha Almir Garnier, além dos generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto.
Contexto da Ação Judicial
A expectativa é que essas representações sejam apresentadas amanhã, coincidindo com a abertura dos trabalhos do STM para o ano de 2026. Caso o tribunal aceite o pedido, a consequência prática será a expulsão dos indivíduos mencionados das Forças Armadas, o que poderá influenciar inclusive as condições de suas prisões, conforme reportado pelo portal G1.
Tempo de Julgamento e Processo Legal
No STM, ações dessa natureza costumam levar em média seis meses para serem julgadas. A principal análise dos ministros será em relação às condições éticas que os acusados têm para permanecer nas Forças Armadas. Essa ação é um desdobramento das condenações impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao ex-presidente e seus aliados na chamada trama golpista.
Condenações e Consequências Legais
O STF concluiu que Bolsonaro, que é capitão reformado do Exército, liderou uma organização criminosa que atuou para perpetuá-lo no poder, mesmo após sua derrota nas eleições de 2022. As penas impostas ao grupo variam de 19 anos a 27 anos e três meses de prisão, em decorrência de crimes como golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Implicações da Indignidade para o Oficialato
A Constituição Federal estabelece que um militar condenado a uma pena restritiva de liberdade superior a dois anos e com trânsito em julgado pode ser declarado indigno para o oficialato, resultando na perda de posto e patente. No STM, existe a expectativa de que cada representação seja designada a um relator diferente, embora a tendência seja que as ações sejam julgadas em conjunto.
Histórico de Expulsões e Novidades no Caso
Desde 2017, 58 militares foram expulsos das Forças Armadas devido a condenações, a maioria por crimes relacionados a peculato, estelionato e corrupção. Com a possível confirmação da indignidade, o militar perde o direito ao salário, mas a pensão será garantida a dependentes, como esposas, companheiras ou filhas, em um processo conhecido como 'morte ficta'. Este será o primeiro caso em que o STM analisará um pedido de expulsão relacionado a crimes contra a democracia.
Considerações Finais
O desenrolar desse processo no STM pode ter um impacto significativo na estrutura das Forças Armadas brasileiras e na percepção pública sobre a responsabilidade de seus membros em relação à democracia. A sociedade aguarda ansiosamente o resultado dessas ações judiciais, que prometem trazer à tona questões fundamentais sobre a ética e a legalidade no serviço militar.
Fonte: https://blogdomagno.com.br








