Haddad: Juros Elevados São o Cerne do Problema da Dívida Pública

0
20
© Valter Campanato/Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, expressou sua visão sobre a dívida pública brasileira em uma recente entrevista ao programa UOL News. Segundo ele, a raiz do problema não reside no déficit primário, que já foi reduzido em 70% nos últimos dois anos, mas sim nas taxas de juros reais elevadas que afetam a economia.

Análise do Déficit Primário

Haddad ressaltou que, apesar de todas as dificuldades, a meta de resultado primário para este ano é ainda mais rigorosa do que a estabelecida em anos anteriores. Ele argumentou que o déficit do ano passado foi de apenas 0,48% do Produto Interno Bruto (PIB), contrastando com os mais de 1,6% projetados pelo governo anterior.

Redução da Taxa de Juros

Durante a entrevista, o ministro também defendeu a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros, a Selic, que atualmente está em 15%. Ele acredita que essa medida poderia ter um impacto positivo na economia, embora tenha elogiado a gestão de Gabriel Galípolo à frente do Banco Central, especialmente diante de desafios como o escândalo do Banco Master.

VEJA  Bolsa Brasileira Registra Queda de 2% em Dia de Correção ACentuada

Regulação do Sistema Financeiro

Haddad propôs uma ampliação da supervisão do Banco Central sobre os fundos de investimento, que atualmente são fiscalizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Para ele, essa mudança é necessária devido à forte intersecção entre os fundos e as finanças, o que impacta diretamente na contabilidade pública.

Reação às Críticas e Tributações

Em relação às críticas que recebeu nas redes sociais, onde é chamado de 'Taxad' por conta do aumento de impostos, Haddad se mostrou tranquilo e até satisfeito em ser reconhecido como o ministro que implementou tributações sobre os mais ricos, incluindo offshore e dividendos. Ele destacou que a taxação de bancos, apostas e bilionários foi um passo importante na sua gestão.

Perspectivas para a Economia e Eleições

O ministro também comentou que a economia pode não ser o fator determinante nas próximas eleições presidenciais, tanto no Brasil quanto em outros países. Ele observou que temas como segurança pública e combate à corrupção estão emergindo como preocupações principais entre os cidadãos. Além disso, Haddad afirmou que não tem planos de se candidatar a nenhum cargo público nas próximas eleições, embora tenha discutido isso com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

VEJA  BRK Ambiental Registra Prejuízo de R$ 24 Milhões no Quarto Trimestre de 2025

Considerações Finais

A análise de Haddad sobre a dívida pública e a economia reflete uma abordagem focada em fatores estruturais, como as taxas de juros, em vez de se concentrar apenas no déficit. Sua defesa por uma regulação mais ampla do Banco Central e por uma possível redução das taxas de juros mostra um compromisso com a estabilidade econômica e a justiça fiscal. Enquanto isso, o cenário político se desenha em meio a preocupações mais amplas que vão além da economia.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br