No Brasil, um fenômeno recente tem chamado a atenção: o aumento de cursos de medicina que operam por meio de decisões judiciais. Atualmente, são 125 graduações nessa situação, oferecendo 9.320 vagas, conforme dados do Ministério da Educação.
Desempenho insatisfatório em avaliações nacionais
Uma análise do Enamed 2025 revelou que sete em cada dez cursos de medicina abertos por força judicial apresentaram desempenho insatisfatório. Em comparação, 41,6% dos cursos de faculdades privadas com fins lucrativos obtiveram resultados satisfatórios, enquanto apenas 30,8% dos cursos abertos judicialmente alcançaram essa marca. Cursos com notas baixas podem enfrentar restrições, como a proibição de receber novos alunos e participar de programas como Fies e ProUni.
Expansão impulsionada por judicialização
A abertura de cursos de medicina via judicialização ganhou força nos últimos anos. Em 2024, 84 cursos foram credenciados dessa forma, representando 27,6% das graduações privadas de medicina autorizadas no ano. Esse número supera os 66 cursos criados pelo programa Mais Médicos. Entre 2010 e 2024, o número de cursos em faculdades privadas com fins lucrativos cresceu de 30 para 195, um aumento de 550%.
Impactos no mercado educacional e de saúde
O aumento de cursos começou a impactar o mercado. Mensalidades que antes atingiam 15.000 reais agora variam entre 7.000 e 10.000 reais, com faculdades oferecendo mais descontos e financiamentos. A expansão também afetou programas governamentais, como o Mais Médicos, cuja terceira edição foi cancelada devido à falta de leitos públicos para aulas práticas.
O cenário atual levanta questões sobre a qualidade da formação médica e os desafios enfrentados pelo sistema educacional e de saúde no Brasil.
Para mais informações, consulte o Ministério da Educação.
Fonte: veja.abril.com.br
